Estiagem traz risco para safra catarinense de grãos

Boletim da Epagri/Cepa indica riscos são para as culturas do milho, feijão e soja

Foto: (Foto: Aires Mariga / Epagri)
A estiagem que ocorreu em setembro e a que vem sendo identificada desde o dia 11 de dezembro pode trazer prejuízos para algumas culturas agrícolas importantes em Santa Catarina. É o que aponta o Boletim Agropecuário de dezembro produzido pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). Os riscos são para as culturas do milho, feijão e soja. Já a queda dos índices pluviométricos em setembro acarretou redução do tamanho dos bulbos de alho e cebola, porém não comprometeu a qualidade dos produtos. 
Grãos 
O estudo aponta que a falta de umidade no solo está provocando interrupção da semeadura de feijão em municípios importantes como Lages, São José do Cerrito, Campos Novos e Curitibanos. Cerca de 80% da área destinada ao plantio de feijão primeira safra já está semeada. 
O milho grão primeira safra é outro que deve sofrer com a falta de chuva. Segundo a análise da Epagri/Cepa, o registro de poucas chuvas na primeira quinzena de dezembro poderá afetar a produtividade, em especial na Região Oeste, onde em torno de 85% do milho encontra-se na fase de floração. 
As lavouras de soja já estão com 98% da área semeada no Estado, restando algumas regiões no Planalto, Lages e Capão Alto, onde, em função do frio e da falta de umidade do solo, até o momento não foi estabelecida semeadura. A expectativa de crescimento de área de plantio está se confirmando. O Estado deve cultivar mais de 700 mil hectares na safra 2017/18, mas o rendimento deve ser menor do que o verificado no período agrícola anterior. 
Hortaliças 
A colheita do alho está concluída, com algumas perdas causadas pela estiagem ocorrida durante o desenvolvimento do ciclo vegetativo da cultura. Os bulbos estão menores, porém a qualidade do produto é muito boa. Outro aspecto foi a elevação do custo de produção pela necessidade de intensificação da irrigação. 
A colheita da cebola está em pleno ritmo em todas as localidades acompanhadas pela Epagri/Cepa, sendo que nas regiões de Ituporanga e Rio do Sul até 90% da área já foi colhida. Embora a produção desse ano apresente bulbos menores em função da estiagem ocorrida, o produto é de boa qualidade, de forma geral. O boa notícia que o Boletim traz para os produtores é a taxação das importações de cebola oriundas de países não pertencentes ao Mercosul, que deve iniciar já em janeiro. 
Pecuária 
Avicultura e suinocultura tiveram queda na exportação. As incertezas provocadas pela suspensão das importações da Rússia a partir de 1º de dezembro provocaram queda nos preços pagos ao produtor de suínos em diversas praças, com exceção de Chapecó, onde o preço manteve-se estável no período de análise. 
O mercado catarinense do boi gordo mantém-se estável. As exportações brasileiras de carne bovina caíram 1,74% em novembro. Mas, no acumulado do ano, os resultados ainda são fortemente positivos: 1,35 milhão de toneladas (+8,52%) e US$ 5,52 bilhões (+12,61%). 
No leite, depois de sinais de recuperação, os preços pagos ao produtor voltaram a cair, derrubados pela oferta relativamente alta aliada à baixa demanda. "O ano de 2017 fica marcado por dois semestres completamente distintos para o setor leiteiro brasileiro e catarinense. O primeiro favorável e o segundo de dificuldades e desafios. Isso deve impactar negativamente sobre a produção leiteira brasileira de 2018 e acentuar mudanças estruturais no setor", descreve o documento.   
Arroz, fumo e trigo 
No arroz irrigado, o plantio da safra 2017/2018 está praticamente finalizado. O alerta fica para o risco de aumento da incidência da bicheira-da-raiz e de cascudo-preto. 
Também para a safra 2017/2018 está estimada uma expansão de 3,2% da área plantada de fumo e uma expectativa de rendimento 4,5% inferior à obtida no ciclo anterior. Nestas condições, espera-se uma safra ligeiramente inferior ao ciclo passado, com uma queda de 1,5% na produção de tabaco. 
O Boletim Agropecuário traz ainda análise da safra de trigo, cuja colheita foi encerrada em novembro. Há um baixo volume de negócios relacionados ao grão e a tendência para os próximos meses é de um mercado sem grandes alterações. 

Confira a íntegra do Boletim