Solidariedade: A história do pequeno Breno e o sonho de um futuro melhor

Grupo de voluntários leva doações e conhece as dificuldades enfrentadas pela família

22/12/2017 - 17:47 hs
Foto: Jacson Carvalho/Agora Joinville

Abril de 2016, terça-feira de manhã. Breno Luiz Nunes, 9, o filho mais velho do casal Isabela Oliveira, 28, Vanderlei Borges Nunes, 42, irmão de Leandro, 4,e Luíza, 2,havia ido à escola no dia anterior e realizado suas atividades regularmente –  falava como ninguém. A mãe estava na cozinha, quando de repente ouviu o barulho de uma cadeira se arrastar no quarto.

“Quando fui olhar o que havia sido aquele barulho, encontrei meu filho tendo uma convulsão”, conta.

Isabela ainda estava no resguardo de Luíza, mas, por conta do desespero, tomou o filho nos braços e sentiu seus pontos da cesária arrebentarem.

Quando Breno nasceu, ele já apresentava problemas no coração, mas de acordo com os médicos, isso se resolveria com uma pequena cirurgia realizada logo aos 11 meses de vida.

O menino, com sete anos na época, já havia tido outras convulsões, mas naquele dia foi diferente.

“Foram dez minutos se debatendo sem parar, fiz tudo o que a atendente do SAMU havia me recomendado pelo telefone, mas nada estava ajudando, até que ele parou de vez. Quando botei a mão no coração, ele não tinha mais batimentos”, explica a mãe.

Isabela, então, saiu pedindo auxílio: “alguém me ajuda, meu filho está morto dentro de casa”,gritava.

Depois do ocorrido, o desespero da família só aumentou. Com os outros dois filhos aos cuidados dos vizinhos, Luíza ainda bebê, com a ajuda de uma vizinha, levou Breno até o Hospital Regional.  Chegando lá, entregou o filho nos braços de uma médica e, a partir dali, não teve mais notícias sobre a criança. Mais de 30 minutos sem saber se o filho estava vivo ou morto.

Cheio de bolhas pelo corpo, devido aos choques de reanimação e entubado, o garoto foi transferido para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria. Seu destino ainda era incerto.

“Breno estava apenas de fralda em uma cama de gelo – quando alguém sofre uma lesão neurológica, usa-se o recurso do gelo para elevar a temperatura do corpo– , ele tremia de frio, seu corpo estava todo roxo.”

Isabela relembra que o médico saiu da sala e avisou: “Daqui a 48 horas saberemos se a cabeça de Breno sangrou ou não. Caso tenha acontecido o sangramento, ele terá morte encefálica”.

Essas foram as horas mais duradouras e torturantes para a família Nunes.

“O médico saía da sala e só falava o pior: ‘De hoje teu filho não passa’. Ele chegou até a convocar nossa família toda para se despedir de Breno”.

Em uma de suas saídas, o clínico alertou que Breno não aguentava tomar mais choque e que seu coração poderia explodir.

Quinze dias após choques, convulsões e desengano do médico, o garoto apresentou melhora. Porém, restaram algumas sequelas.

Hoje em dia, Breno, aquele garoto esperto, que adorava ir à escola e tirava notas altas, não anda, não fala e se alimenta apenas por sonda. Além disso, convive com um marcapasso.

De acordo com o pai, aos 4 anos de idade, Breno foi diagnosticado com síndrome de QT Longo – é uma doença caracterizada pela demora na repolarização ventricular. Essa síndrome manifesta-se clinicamente como síncope cardíaca e morte súbita causadas por uma forma atípica de taquicardia ventricular polimórfica conhecida como torsade de pointes (TdP) – , no entanto, pela falta de informação dos profissionais sobre o assunto, que trataram a doença como sendo normal, Breno ficou com sequelas.

“Isso nos revolta muito, pois nunca nos explicaram a gravidade desta doença”, desabafa Vanderlei.

Cinco meses depois, o filho do meio, Leandro, foi diagnosticado com a mesma doença, mas os pais, com mais conhecimento sobre o assunto, trataram o garoto e ele vive uma vida normal. Porém, tanto Leandro quanto Breno, jamais poderão praticar esportes.

Apesar de todos os sustos, limitações e sequelas deixadas pela doença, os pais de Breno ainda têm a esperança de que o filho voltará a ter uma vida normal. O próximo passo é realizar o sonho do garoto de ir à praia.

Solidariedade


Comovidos pela história da família de Breno, funcionários de uma empresa de Joinville se juntaram para fazer o bem. Na manhã de sábado (9), cerca de 15 pessoas foram à casa do garoto, no bairro Comasa, para levar café da manhã e presentes para as crianças.

De acordo com Tania Patricia Degrassia Prestini, integrante do grupo, a equipe já realiza ações como essa desde 2010, quando ajudaram um grupo de crianças carentes acolhidas pela assistência social, em Piçarras.

Desde então, todo ano, por meio de ações independentes, no período do natal, a equipe realiza rifas, sorteios e pedem doações de outros funcionários do local.

“Nós conhecemos a história do Breno por meio da Sabrina Veiga, que também faz parte do grupo, nos comovemos e resolvemos ajudar. É assim que sempre acontece”, conta.

“Com a ajuda de pessoas como essas, podemos dar uma vida mais digna para nossos filhos e seguimos  na esperança de dias melhores”, avalia Vanderlei.

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