Reajuste do salário mínimo fica abaixo da inflação pelo segundo ano consecutivo

Acréscimo de 1,81% no salário mínimo para 2018 é o menor registrado desde 1994

Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini
Reajuste do salário mínimo fica abaixo da inflação pelo segundo ano consecutivo
O valor do salário mínimo também define benefícios, como aposentadorias e seguro-desemprego
O salário mínimo teve o menor reajuste em 24 anos, passando de R$ 937 para R$ 954, o que representa um acréscimo de apenas 1,81%. Por outro lado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulou alta 2,07% no ano. Já a inflação oficial do Brasil, que tem como base o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA), também divulgado nesta quarta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou 2017 com um índice de 2,95%. O resultado deste segundo, porém, ainda está abaixo do piso da meta fixada pelo governo, que era de 3%. 
De acordo com a legislação atual, o valor do salário mínimo é corrigido levando em conta a inflação no ano anterior e o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Entretanto, este é o segundo ano consecutivo que o piso nacional ficará abaixo da inflação. Em 2017, o valor do mínimo foi reajustado em 6,48% para um INPC de 6,58%.
 
Para 2018, o PIB não foi levado em consideração, já quem em 2016 a economia teve retração 3,5%. O valor do salário mínimo serve, entre outras coisas, para definir o piso do mercado formal e também é referência para benefícios, como aposentadorias e seguro-desemprego. 
Índices 

Quando se trata de inflação, dois termos são mais comuns: IPCA e INPC. Entretanto, apesar dos dois índices serem calculados pelo IBGE, e os valores na maioria das vezes estarem muito próximos, há diferenças entre os indicadores. Entenda: 
IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o índice oficial de inflação no país. Os valores são calculados mensalmente pelo IBGE e levam em consideração os preços pagos à vista em um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias, como estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos e internet. A coleta estende-se, em geral, do dia 01 a 30 do mês de referência. 

O resultado de 2017 foi influenciado principalmente pelo aumento de preços de botijão de gás (16%), planos de saúde (13,53%), creche (13,23%), gás encanado (11,04%), taxa de água e esgoto (10,52%), ensino médio particular (10,36%), energia elétrica residencial (10,35%) e gasolina (10,32%). Já o grupo Alimentação e Bebidas teve queda de 1,87% e ajudou a conter a inflação do ano.

O IPCA aponta o custo de vida médio de quem vive em regiões metropolitanas das principais cidades do Brasil, e que possuem uma renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos. O índice é utilizado pelo Banco Central como referência para a meta de inflação. Para 2018, este valor foi fixado em 4,5% ao ano. 
INPC 
Assim como o IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também é calculado mensalmente pelo IBGE e leva em consideração os preços pagos à vista em estabelecimentos comerciais, aluguéis e compras de imóveis, serviços públicos e prestadores de serviços. 

 

Porém, a principal diferença entre os dois indicadores, é que o INPC considera as famílias que possuem uma renda de até cinco salários mínimos mensais. O INPC, por sua vez, é utilizado para cálculos de reajustes salariais, visando manter o poder de compra do trabalhador perante a inflação.