Apenas 15% dos brasileiros conseguem quitar dívidas de início de ano

Especialistas do SPC Brasil defendem a necessidade de planejamento financeiro

Foto: Agência Brasil

Um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) sobre organização do orçamento para 2018, mostra que apenas 15% dos brasileiros dizem ter condições de pagar com os próprios rendimentos as despesas comuns no início de ano, como IPTU, IPVA e material escolar. A pesquisa ainda mostra que 17% dos entrevistados não fizeram qualquer planejamento para pagar esses compromissos. 

Para os especialistas do SPC Brasil, planejamento e disciplina são as palavras de ordem para quem quer começar 2018 organizado financeiramente. O primeiro passo é fazer um mapeamento pensando no futuro, mas sempre de olho no retrovisor, pois janeiro é um mês com acúmulo de gastos, como viagens do período de festas e parcelas remanescentes do Natal, alerta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

De acordo com dados do SPC Brasil, na média, o brasileiro que parcelou suas compras natalinas vai terminar de pagar essas prestações somente entre os meses abril e maio, o que sinaliza um orçamento comprometido por um período considerável do ano.

IPTU: à vista ou parcelado?

Os especialistas do SPC Brasil explicam que para se livrar de compromissos como IPTU e IPVA o mais cedo possível, o recomendado é sempre pagá-los à vista, geralmente com alguma reserva destinada especificamente para esse tipo de gasto.

O primeiro passo é avaliar se o desconto oferecido é maior do que o valor que esse dinheiro renderia caso estivesse em alguma aplicação financeira. No caso do IPTU, que em média pode ser parcelado em até nove meses, o pagamento à vista será vantajoso se o desconto for superior a 1,5%, considerando uma aplicação alternativa que renda 0,4% ao mês, como é o exemplo da poupança, que não cobra taxas de resgate. Como a média de desconto dado pelos municípios é de 10%, o pagamento a vista tende a ser vantajoso na maior parte dos casos e deve ser a prioridade do consumidor no início de ano.

IPVA

No caso do IPVA, que em média pode ser parcelado em até quatro vezes, para o pagamento ser realmente vantajoso, basta que o desconto supere os 0,5%.

Já quem não tem dinheiro guardado deve inevitavelmente pagar a prazo e iniciar um planejamento para quitar essas despesas já no início de 2019. A sugestão da economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, é que para os próximos anos, o consumidor vá separando todo mês um determinado valor para quitar os compromissos sazonais. "O ideal é deixar uma quantia separada dos rendimentos mensais, assim o consumidor não cai na tentação de gastar o dinheiro com outras finalidades", afirma.

Troca de dívida

Para os consumidores que estão inadimplentes, o SPC Brasil recomenda que se faça uma negociação da dívida com o credor, contratando novas condições e formas de pagamento que melhor se encaixam no orçamento.

O educador financeiro do portal 'Meu Bolso Feliz' José Vignoli alerta que um novo financiamento para quitar débitos deve ser encarado como última opção. "Se o consumidor estiver inadimplente no cartão de crédito ou no cheque especial, a troca da dívida por outra com juros menores como o empréstimo pessoal ou consignado é uma opção que compensa", explica Vignoli.

Marcela ressalta que o consumidor só deve usar o cartão de crédito se tiver certeza de que terá dinheiro para fazer o pagamento integral da fatura. "Renegociar a dívida é uma alternativa necessária em muitos casos, mas não pode se tornar algo recorrente. Por isso, a recomendação é só fazer dívida quando se tem consciência de que existem condições de serem pagas", diz ela.