Consultório na Rua oferece saúde às pessoas em situação de rua

Trabalho diminuiu a incidência desse público em emergências e hospitais

16/01/2018 - 11:43 hs

Em Joinville, pessoas em situação de rua recebem atendimento na área da saúde através da equipe do Consultório na Rua. Os servidores da Secretaria da Saúdeconversam, criam vínculos, tratam o que pode ser feito no local, fazem curativos, encaminham para exames e serviços especializados e acompanham esse paciente. O trabalho diminuiu a incidência desse público em emergências e hospitais.

Assistência a pessoas em situação de rua

A equipe começou a trabalhar em outubro de 2014. Hoje, é formada por uma médica residente em saúde da família, que atende com eles às segundas-feiras, um enfermeiro, dois técnicos em enfermagem e uma psicóloga, além do motorista. O Consultório na Rua tem 500 pessoas em situação de rua cadastradas. A média de atendimento é de 70 pessoas por mês.

Os técnicos fazem as vistorias diariamente nas praças, bairros e onde forem chamados para prestar auxílio a um desabrigado. Trabalham de manhã, à tarde ou à noite.

“Somos uma unidade de saúde ambulante. Disponibilizamos saúde para esse morador de rua que muitas vezes perde sua identidade e o relacionamento com a família e com ele mesmo. É uma pessoa que não se olha e que acha que não vai ser atendida, que não tem esse direito”, explica Daniza Amorim, técnica de enfermagem da equipe.

Os profissionais conversam e tentam criar e preservar um vínculo. Eles oferecem o que chamam de kit de redução de danos, com água e barra de cereais. Também oferecem kit odontológico e kit de higiene pessoal com pente, shampoo, sabonete, cortador de unha e protetor labial.

O atendimento depende da demanda. Há casos de infecções, doenças de pele, controle de diabetes e pressão alta. Muitos precisam de curativos.

Se a pessoa não tem condições de ir sozinha até o local, a equipe de atendimento leva à unidade. Há uma rede de profissionais interligados por um aplicativo que se comunica, avisam se há emergência, novos pacientes, procedimentos marcados, faltas.

Parceria com Assistência Social

Muitos pacientes são encaminhados para o Centro POP. “Conseguimos com o tempo convencer a pessoa. Levamos para tomar um banho e fazer a barba. Uma hora, ele percebe que precisa tomar um café, fazer uma refeição”. No Centro POP, as pessoas em situação de rua também são orientadas sobre autocuidado e a não dividir objetos que possam transmitir doenças.

O Consultório na Rua realiza testes rápidos de hepatite B, hepatite C, sífilis e HIV. E em caso positivo, são encaminhados para a Vigilância Epidemiológica. Na rua, uma pessoa doente pode transmitir para outras nove. “Não estamos tratando apenas esta pessoa, mas mais pessoas”, explica Daniza.

Casos de sucesso

As mulheres grávidas recebem o pré-natal na rua. A equipe guarda a foto de um bebê. A mãe, usuária de drogas, foi acompanhada por eles, e conseguiu realizar o pré-natal, ter o filho em segurança, ainda voltou a ter vínculo com a família e a trabalhar. Outro caso de sucesso é o de um paciente que foi curado de tuberculose e fez o tratamento do começo ao fim na rua.

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