Cinco mortes com suspeita de febre amarela em Santa Catarina

Mulher esteve recentemente em São Paulo onde há um surto da doença

Por Texto: Jornal Metas/RCN Notícias 22/01/2018 - 15:52 hs

Uma moradora de Gaspar faleceu nesta quarta-feira, dia 17, com suspeita de ter contraído febre amarela. Filomena Soares de Campos Silva, de 57 anos, moradora do bairro Poço Grande, recentemente fez uma visita a parentes que moram em Mairiporã, no Estado de São Paulo, onde teria contraído a doença. O estado enfrenta um dos maiores surtos de Febre Amarela da sua história e a orientação da Secretaria Estadual de Saúde é para que todos que visitem a região se previnam com a vacina.

Após retornar de São Paulo, no dia 8 de janeiro, Filomena sentiu os primeiros sinais da doença e, por isso, procurou atendimento no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Gaspar. Após alguns dias em casa sem apresentar melhoras, a paciente retornou ao hospital onde foi internada no último domingo (14). Com o agravamento do seu quadro de saúde, o hospital de Gaspar decidiu pela sua transferência para o Hospital Santa Isabel, em Blumenau, onde ela faleceu na quarta-feira, dia 17. 

O médico infectologista do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Ricardo Freitas, foi um dos responsáveis pelo atendimento de Filomena Silva. De acordo com o infectologista, a evolução do quadro clínico foi bastante rápido, fator compatível com a versão mais grave da febre amarela. Ainda de acordo com o médico, assim que assumiu o atendimento de Filomena, já solicitou exames de imagens e laboratoriais. “As alterações reveladas nos exames eram compatíveis com quem tem problema hepático, mas só com eles não seria possível confirmar se a paciente realmente estava com febre amarela ou outra doença hepática, por isso entramos em contato com a Vigilância Sanitária do Estado e solicitamos o exame comprobatório, onde fomos prontamente atendidos”, contou o médico.

Freitas explica que todo exame de confirmação de febre amarela deve ser autorizado pela Vigilância Sanitária do Estado, e que o resultado leva de 10 a 15 dias. “Mesmo com a solicitação autorizada, fizemos todos os procedimentos necessários e encaminhamos a paciente para um hospital de referência. Infelizmente o quadro dela piorou de forma drástica mesmo com todo o acompanhamento médico”, lamentou Freitas.
 
A doença

A febre amarela é contraída a partir do mosquito Aedes Aegypti contaminado. Os sintomas podem ser confundidos com outras doenças mais comuns, como dor de cabeça, dor muscular febre alta, calafrios, cansaço, náuseas e vômitos. A febre amarela, na maioria das vezes, não apresenta grandes complicações na sua versão mais leve. “É bom lembrar que não há tratamento específico para a doença. O que se faz é um acompanhamento do paciente. Caso o quadro seja da versão mais severa da doença, o tratamento passa por ações visando proteger os órgãos do paciente enquanto se aguarda o período de recuperação. Na maioria dos casos, o paciente se recupera sem sequelas”, explica Freitas. 

Recomendações

O médico infectologista recomenda que todas as pessoas que forem viajar para a região Sudeste do país, ou outras áreas com o surto da doença, tomem a vacina contra a febre amarela com pelo menos 15 dias de antecedência. Freitas também tranquilizou a população do Estado. “A doença só é transmitida quando há foco do mosquito contaminado. E como não há foco em Gaspar, nem no nosso estado, não há a necessidade da população se vacinar neste momento”, afirma. 

Na manhã dea quinta-feira (18), a Prefeitura de Gaspar, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e Diretoria de Vigilância em Saúde, emitiu uma nota oficial. Segundo a nota, a paciente, sem registro da vacina, foi internada no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde foi realizado o processo de investigação de diagnóstico. No dia 16 de janeiro, o hospital notificou a secretaria sobre o caso de suspeita de febre amarela, leptospirose e hepatite da mesma paciente. A Secretaria de Saúde encerra a nota afirmando que vem tomando todas as providências desde o recebimento da notificação. 

Estado

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (DIVE/SES) informa que, de 1º a 18 de Janeiro de 2018, foram notificados cinco casos suspeitos de febre amarela no estado, que estão sob investigação. Todos os casos tiveram deslocamento para áreas com transmissão fora de Santa Catarina e aguardam resultado laboratorial. Desses, dois casos evoluíram para óbito, um residente em Gaspar e o outro morador de Lajeado Grande. Ambos com histórico de viagens para o estado de São Paulo.

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