Por que estudar as teorias?

Por que estudar as teorias?

Por Flavio Trentin 05/07/2017 - 18:04 hs

Estava eu, em uma das minhas aulas, quando fui surpreendido com a seguinte pergunta de uma aluna do curso de bacharel em Ciências Contábeis. “Professor; por que temos que estudar tanta teoria, acontecimentos dos séculos 17, 18, 19 e 20, na faculdade? Não seria melhor ir direto à pratica, abordando assuntos do nosso dia a dia”?

Antes da minha resposta, vamos explorar mais esse assunto.

Está cada vez mais explícito para muitos brasileiros e, principalmente, aos estudantes do ensino superior, a falta de interesse por um mergulho profundo no mundo das ideias e isso reflete tanto no cotidiano acadêmico como na vida profissional do trabalhador. 

É fácil notar a quantidade de profissionais no mercado de trabalho produzindo cada vez menos. O preguiçoso estudante de hoje é o péssimo profissional de amanhã.

Diante desta circunstância, pergunto eu. O que seria dos estudantes, ou profissionais formados e bacharelados na área de humanas, exatas ou principalmente em saúde, sem os conceitos teóricos e científicos estudados e publicados no passado?

Consegue imaginar um trabalho de conclusão de curso ou livro de pesquisa sem referência bibliográfica? De fato, um estudante sem teoria é como uma piscina sem água ou avião sem asa: não faz sentido algum.

Galileu Galilei, filosofo Italiano, é reconhecido até hoje como pai da ciência moderna e isso se deve ao fato de ele fazer experiências para tentar comprovar suas teorias.

Boas teorias permitem tanto ao estudante, quanto ao profissional, compreender melhor a forma de executar as tarefas ou, simplesmente, auxiliar na tomada de decisão. É como usar óculos para corrigir a visão das coisas.

Aliás, presumo que seja falsa a ideia segundo a qual teoria e pratica pertencem a dimensões diferentes. A teoria e a prática estão num plano horizontal, portanto, se equivalem em importância, além de se afetarem mutuamente.

Podemos citar grandes pensadores que hoje são referências e base de estudo nos cursos das universidades e faculdades. No mundo da psicologia, como não falar de Sigmound Freud, quando jovem. 

Os escritos de Goethe e as teorias de Charles Darwin o inspiraram a estudar e a desenvolver ideias como a da teoria que procurava descrever a etiologia dos transtornos mentais, o desenvolvimento do homem e de sua personalidade, além de explicar a motivação humana. 

Não podemos nos esquecer de Alberto Santos Dumont, sempre lembrado nos cursos de engenharia, que utilizou, dentre tantas, as teorias de Thomas Edison. O que seriam desses homens sem um alicerce teórico? Será que eles usufruiriam o mesmo sucesso sem estas influências?

Boas ideias nascem do plantio das teorias estudadas. Pessoas de diferentes áreas da sociedade sem esses conhecimentos especulativos e sintéticos, comprovados e aprovados pela ciência, têm prazo de validade no mercado de trabalho, pois suas ideias, suas opiniões, seus projetos, seus diagnósticos, são completamente rasos, não causam efeitos e vivem na perpétua mediocridade.

Ah, sobre a pergunta da aluna no primeiro parágrafo, respondi com todo o cuidado do mundo que o papel da universidade ou da faculdade, além de oferecer um conteúdo mais atualizado possível, é de preparar o aluno para o mercado de trabalho, com teorias e práticas.

Mostrei que todo profissional bacharelado, em qualquer curso de ciência que ele escolheu como profissão, é contratado para raciocinar, pensar antes mesmo de executar qualquer serviço prestado. 

Aquecer e alongar antes de começar a correr ou praticar um exercício físico é fator determinante para não se obter uma lesão e isso foi assunto de muito estudo teórico há décadas nos cursos de educação física para se chegar a esta conclusão.

Portanto, estudantes, desfrutem das teorias para que não se frustrem na vida profissional. E você, profissional, volte a ter o prazer de se alimentar com estudos científicos para enfim ter mais coragem nos desafios da vida pessoal e profissional.