Mulher: A primeira motorista da empresa Transtusa

Apesar dos preconceitos, cantadas e estresse do trânsito, Claudete enfrenta tudo com um sorriso no rosto

Por Sabrina Quariniri 07/07/2017 - 10:40 hs
Foto: Jacson Carvalho/Agora Joinville

Claudete Maria Philippsen Eyng é motorista há vinte anos e começou neste ramo na cidade onde morava, Capanema/PR, como entregadora dirigindo uma Kombi.
A motorista de 47 anos, já está vinte anos morando em Joinville e há nove trabalha como motorista da Transtusa. Ela conta que ser motorista é um sonho antigo que realiza diariamente. “Dirigir alivia o meu estresse e me deixa feliz. Não gosto de fazer serviço doméstico”, conta ela.

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Nesta empresa, ela foi a primeira motorista mulher a entrar e, agora, com mais experiência e muita dedicação, ela treina as novas motoristas que entram.

Claudete sai de casa às 2h30, chega ao pátio da empresa, pega seu crachá, liga o carro, faz uma geral para ver se está tudo funcionando corretamente, coloca o cinto e parte para mais uma madrugada de trabalho. Simpática, ela distribui mais de 300 “bom dia” em suas linhas da região Norte. Alguns, correspondem ao seu carisma, outros, nem tanto.

Em sua jornada de mais de sete horas diárias, já passou por várias situações inusitadas. Conta que já sofreu preconceito, curiosamente mais pela parte feminina, pessoas já passaram mal dentro do ônibus, cantaram e gritaram. Conta também que já recebeu cantada e até presentinhos de seus passageiros.
Ela não tem dificuldades em lidar com o preconceito. Diz até que acha as mulheres mais cautelosas e habilidosas ao volante. “Temos mais paciência no trânsito. Já cometi alguns errinhos, mas, afinal, quem nunca errou?”, questiona ela.

A motorista conta que precisa fazer, muitas vezes, manobras arriscadas e, com estresse diário de motoristas, já foi até xingada no trânsito. Já aconteceu de seu carro quebrar na estrada, mas quando questionada sobre mudar de profissão, diz que jamais mudaria de ramo. “Atrás do volante é onde quero permanecer até me aposentar”, exclama.

O marido dela, também motorista, e seus filhos, são os grandes apoiadores de sua escolha. Claudete ama dirigir, mas diz que prefere carros grandes, para ter uma visão mais ampla do trânsito. “Quando saímos para viajar, meu marido que leva o carro. Acho muito desconfortável dirigir algo pequeno, e olha que a profissional da casa sou eu”, brinca ela.

Claudete é motorista, mãe e esposa. Um exemplo de que realizar sonhos e fazer o que gosta, é essencial para uma carreira profissional feliz e cheia de conquistas. Para quem está começando, aconselha a ter cautela e, principalmente, gostar do que está fazendo.