Transição na interinidade

Por Prisco Paraiso 28/10/2020 - 10:10 hs

Moisés da Silva saiu de cena, temporariamente, com uma postura acertada. Reuniu o colegiado para passar o bastão à vice, Daniela Reinehr. Não é uma situação fácil, mas o caminho é esse. Priorizar Santa Catarina.

Evidentemente que a nova governadora promoverá mudanças no secretariado. Ela, contudo, já deixou claro que não promoverá terra arrasada. Também acerta ela. Está correta. Precisamos recolocar o estado nos trilhos do desenvolvimento econômico. Ela começa muito bem, agindo com prudência e equilíbrio.

Outro ponto. Daniela tem que prestar atenção na pandemia. Enquanto o mundo político/jurídico voltou suas energias ao impeachment nos últimos meses, aquilo que merecia prioridade, além da retomada da economia, acabou relegado a segundo plano.

Agora, às portas do verão, vemos nova onda da pandemia em situação bastante preocupante.

Casa Civil

Daniela Reinehr começa o governo interino mostrando semelhanças à condução que Jair Bolsonaro imprimiu na Presidência da República. O novo chefe da Casa Civil, pasta que ficou acéfala desde julho sob Moisés da Silva (!), é o general do Exército da reserva, Ricardo Miranda Aversa, homem competente, muito qualificado e preparado. Excelente escolha.

Origens

Embora não vá promover terra arrasada, pelo menos foi isso que a governadora sinalizou, há outras pastas onde naturalmente ela irá mexer. A Saúde é uma delas. Ali está a origem do segundo processo de impeachment que tramita na Alesc. Ainda não se tem um nome para substituir André Motta Ribeiro. Outra é a Procuradoria Geral do Estado, onde se originou o processo que acabou por afastar Moisés da Silva temporariamente.

Atitude correta

Para a PGE, já houve um convite feito à advogada Ana Cristina Blasi, que defendeu a governadora no impeachment. Ela, no entanto, declinou do convite. No que fez muito bem. Ana Blasi defendeu Daniela no impeachment, mas não foi esse o motivo para ela não aceitar, até porque isso não seria um problema. Muito pelo contrário. Competência ela tem de sobra. Ocorre que ela foi a advogada da Associação dos Procuradores do governo do Estado, advogando em favor do aumento salarial da categoria que motivou todo esse imbróglio. Evidentemente que não cairia nem um pouco bem agora Ana Blasi se assentar na chefia da pasta. Impraticável.  Ao declinar, a advogada homenageou a competência e a honradez de seus antepassados, os advogados Aloisio e Paulo Henrique Blasi, pai e tio dela, respectivamente.

Decretos

Sobre a pandemia, a nova governadora vai manter o estado na pilotagem do processo, mas delegando o poder final de definição aos prefeitos. Mais uma atitude acertada. Inexplicável foi a postura do deputado Jessé Lopes, do PSL, de ir às redes sociais defender que Daniela Reinehr rasgasse os decretos em vigor no Estado. Jessé, como se sabe, faz de tudo, qualquer coisa mesmo, para ganhar holofotes. Ela nem considerou essa hipótese.