Meritocracia

Ser merecedor pressupõe ter feito algo que justifique uma compensação, ora vista como prêmio; ora, ou como castigo

Por Cris Nogueira 11/07/2017 - 11:40 hs

No dicionário, a palavra merecimento possui alguns significados como, por exemplo, ato ou efeito de merecer, capacidade, engenho, talento, importância, qualidades morais, habilitações, entre outros e etc...

Ser merecedor pressupõe ter feito algo que justifique uma compensação, ora vista como prêmio; ora, ou como castigo. Tanto é verdade que, ao longo da vida ouvimos algumas frases do tipo “Ela merecia coisa melhor”, “Ela teve o que merecia”, “Deus é justo”, “A vida passa, mas a vida cobra” , e outras mais. Fica parecendo que, sem duvida nenhum, o merecimento virá, nem que seja pela “Providência Divina”.

No meio organizacional, o merecimento nada tem de semelhante ao que a  “Providência Divina” poderia proporcionar, mas sim com relação à trabalho, dedicação, produtividade, ousadia, criatividade , e tantos outros critérios definidos pela Cultura Organizacional de cada Instituição. Pelo menos, é isso que se espera.

Portanto, Merecimento, Compensação, Prêmio, Castigo... Justiça, são conceitos  bem recebidos no papel, porém, no dia a dia , ser justo pelo olhar personalizado de uma cultura organizacional, de um gestor ou de uma gestão específica é quase sempre muito injusto. De forma geral, as pessoas percebem diferentemente sobre um mesmo assunto, inclusive no que se refere à Justiça, e o pano de fundo de tudo isso se chama Meritocracia.

Sabemos que todos os trabalhadores dedicados, empenhados em seu trabalho e em suas metas profissionais possuem o desejo de reconhecimento. Assim sendo quanto mais claros, formais e padronizados forem os degraus da meritocracia, mais justo será o processo para alcançá-la, e o contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais a meritocracia depender das percepções pessoais de um gestor, mais dependente, submisso e subjugado um funcionário estará. Nesse caso, não existirá meritocracia.

Nesse aspecto a Avaliação de Desempenho, uma ferramenta utilizada por muitas organizações para avaliar o desempenho dos colaboradores, também pode ser mascarada, já que depende das partes que a utilizam.

É importante ainda ressaltar que muitas pessoas possuem uma visão superlativa sobre o trabalho que desempenham, enquanto outras se dedicam muito e se valorizam pouco. Na verdade, encontramos de tudo no mercado laboral. Existem ,como se sabe, lideranças que valorizam suas respectivas equipes, fazem o processo de coaching (apoiando e desenvolvendo suas equipes); outras se sentem ameaçadas e encaram suas equipes como inimigos. Lamentavelmente, esses equívocos da personalização da meritocracia não geram somente apenas uma injustiça na questão do reconhecimento profissional, mas também perda de tempo e dinheiro. Em alguns casos, o colaborador se desmotiva, deixa de produzir e contribuir como poderia; em outros, a organização o perde para a concorrência pelo simples fato de um obtuso gestor, por incompetência, medo, insegurança, ou por tudo isso junto, não tê-lo valorizado. Resumindo, a meritocracia está diretamente ligada aos gestores de uma organização, pois, mesmo havendo critérios formais e claros, em algum momento o colaborador estará na dependência da análise de sua liderança ou chefia.

Dessa forma quanto mais os critérios estiverem nas mãos das pessoas, menos justos eles serão, pois não há garantia dos valores, do caráter, da vaidade, do orgulho, da insegurança e da ganância do ser humano, em especial quando ele se encontra em uma privilegiada posição de comando, de julgador. Prioritariamente, as organizações devem qualificar seus colaboradores, com o objetivo de preparar lideranças balizadas nos princípios. Quando melhoramos as pessoas, melhoramos os processos e os resultados.

Destaco que há quem ame o que faz, mas a importância não está em apenas fazer o que se gosta, mas em fazer bem feito aquilo que deve ser feito. Se pudermos estabelecer como objetivo a superação de nossas próprias metas, estaremos sempre um passo a frente.  Assim sendo, ficar sob a tutela da perspectiva, da opinião, da percepção, da intenção, ou do objetivo de uma empresa ou de alguém é como se terceirizássemos nosso crescimento no mercado. Em vista dessas reflexões, temos que pensar com uma visão de futuro, ultrapassando nossos desafios pessoais e profissionais, impondo-nos metas ousadas, orientando-nos por princípios, porque a caminhada nesta vida nos oferece lapidações, que, no meio organizacional  denominamos aperfeiçoamento.

Lembro que, no início do texto, comentei sobre alguns ditados populares que colocam nas mãos da “Providência Divina” o poder de fazer a justiça. Então, vou terminar este texto com outros ditados, que colocam em nossas mãos as consequências de nossas escolhas e nos responsabilizam por elas:

- “Deus ajuda a quem cedo madruga” (Ditado Popular)

- “Tudo que é seu encontrará uma maneira de chegar até você” (Chico Xavier)

 

- “Não peça a Deus para guiar seus passos, se você não está disposto a mover seus pés” (Márcio Kuhne).