A terra e o espaço encolheram

A terra e o espaço encolheram

Em Joinville, as chuvas e a abordagem jornalística no meio impresso sobre o assunto crescem em direções opostas

Por James Klaus 01/02/2018 - 11:06 hs

As férias me possibilitaram reler o livro de Michael Frome “Green Ink: uma introdução ao jornalismo ambiental” editado pela UFPR em 2008. A obra foi publicada em 1996 nos EUA e traduzida no Brasil em 2008. Conforme leio, tento não relacionar a situação americana vivenciada pelo autor em 1996 com o jornalismo impresso atual em nossa cidade. Mas é impossível. Isso porque o autor mostra como a queda dos grandes impressos americanos foi condicionado ao avanço das novas tecnologias da comunicação (TICs). O povo, cansado de ler matérias posicionadas por anunciantes, resolveu criar seu próprio jornal. Mas não é tão simples assim.

Na página 19, Frome afirma que “A internet e tecnologias associadas a ela transformaram a maneira pela qual o jornalismo é exercido. Ela exige mais do que saber escrever ou editar, ou tirar fotografias- ela exige habilidades multimídia e fluência em tecnologia”. Saber lidar com as principais novas plataformas que surgem -e que surgirão- no decorrer dos tempos é fundamental para publicizar conteúdos. As técnicas de utilização de blogs, chats, aplicativos interativos proporcionam a divulgação e posicionamento da produção; mas, além disso, saber manusear equipamentos da TICs, como iPods, telefones celulares, filmadoras com recursos multimídia são diferenciais de exigência no jornalismo imediatista da atualidade.

Mas ao mesmo tempo em que o “jornalismo cidadão” insurge, possibilitando às pessoas a divulgação daquilo que julgam ser relevante, a grande mídia se reestrutura fechando diversos postos de trabalho observando a queda do consumo de materiais impressos. Sobre isso, o autor escreveu que “Enquanto esperam que os leitores continuem a comprar a versão impressa, estão criando versões também na internet, que visam atrair e manter leitores, com a esperança que a receita publicitária vá acompanha-los”.

O corte na equipe reflete na qualidade da apuração dos fatos, no aprofundamento da investigação jornalística e estas mudanças são percebidas pelo leitor. Este passa a buscar a informação nos jornais online, periódicos de bairro e sites, pois já não se satisfaz com a matéria superficial e comprometida com investidores dos grandes impressos. O interessante nessa concorrência é que esta pode gerar uma reação na qual o grande impresso volte a ser comprometido com a comunidade e com a transparência.

 

Com este texto, quero dizer que cobrir o acontecimento, a enchente, é o trivial. Mesmo o cidadão que não tem sequer a formação em jornalismo o faz quase que em tempo real em diversas plataformas. Mas a ida a campo antes da época das chuvas, verificar in loco se as obras realizadas condizem com as planilhas orçamentárias do governo, isso é jornalismo. Cortemos na carne!