Eduardo assume

Pinho Moreira assume interinamente o governo catarinense até abril, quando Raimundo Colombo renunciará o cargo

Por Prisco Paraiso 16/02/2018 - 17:41 hs

O MDB esperava reunir cerca de 2 mil pessoas nesta sexta-feira, no CentroSul em Florianópolis. Caravanas de todos os cantos de Santa Catarina estavam confirmadas para  a cerimônia de transferência do governo de Raimundo Colombo (PSD) para Eduardo Moreira (MDB). Festa do MDB, com homenagens a Colombo.

O emedebista assume interinamente até o começo de abril, quando o governador anunciou que renunciará. Normalmente, as assessorias apenas fazem uma foto, quando fazem, da assinatura do ato de mudança interina no governo. Mas desta vez é diferente. Não será apenas mais uma interinidade de Eduardo Moreira (a décima oitava). O próprio Colombo já declarou que o governo de Santa Catarina, daqui em diante, é de Pinho Moreira.

Ele terá autonomia total. Isso nas palavras do governador. Raimundo Colombo adiantou também que não voltará mais ao comando do Estado. Esticará as licenças, deixando o vice interinamente até a posse definitiva. Se ela ocorrer realmente, lá na primeira semana de abril. Ainda há quem faça ressalvas à renúncia de Colombo.

Contraponto

Enquanto o MDB organizava a festa para a volta ao poder central, o PSD, o PP e o PSB construíram resoluções conjuntas para fazer o contraponto ao movimento do provável adversário. Além de escancarar que estão juntos, fechados, os três partidos colocam Eduardo Moreira contra a parede ao determinar que os cargos de primeiro escalão só serão entregues um dia antes da renúncia do governador Colombo. Os documentos foram finalizados na quarta-feira, antevéspera da posse desta sexta-feira.

Ficam

A costura do trio partidário também escancara que os cargos dos escalões inferiores estão liberados para, inclusive, permanecerem no governo depois da renúncia de Colombo.

Aliança na berlinda

Para correr com os secretários do PSD e do PP (e com a turma do PSB dos andares de baixo), Eduardo Moreira terá que tomar a iniciativa e demitir os comissionados. É de bom alvitre, contudo, que o “novo” inquilino do Centro Administrativo pense bem antes de exonerar Valmir Comin, por exemplo, progressista de quatro costados. Se ele for demitido, os demais ocupantes de cargos estratégicos de PSD e PSB poderão sair junto, implodindo definitivamente qualquer chance de renovação da aliança PSD-MDB neste ano.

Dormindo com o inimigo

Eduardo Moreira já deixou claro que a presença de Valmir Comin, do PP, em seu governo não é bem-vinda. Mas a resolução progressista não dá margem a dúvida. O secretário não sai por conta própria. Só se for convidado a se retirar.  Saia justa para o quase governador interino. Até segunda ordem, os movimentos de Merisio e aliados tendem a marcar posição e não permitir que o MDB “mande” sozinho no governo. 

Resumo

Neste contexto, o MDB assume o poder central, tendo que engolir pessedistas, progressistas e socialistas, que já estão unidos em torno de um projeto antagônico ao do Manda Brasa neste ano! Pelo menos até 6 de abril.

Alô, Raimundo

As três resoluções determinando desembarque condicionado à renúncia também são uma resposta direta a Raimundo Colombo, generoso em interinidades concedidas a Eduardo Moreira neste ano. E nascida dentro do seu próprio partido, o PSD.

Tacada

As decisões conjuntas de PSD, PP e PSB configuram-se numa jogada inteligente de Gelson Merisio, Silvio Dreveck e Paulinho Bornhausen. Embretam Eduardo Moreira e mandam recado claro a Raimundo Colombo.