Virando o jogo

Reforma da Previdência não foi aprovada, para partir ao contra ataque, o governo aprovou a intervenção militar no Rio de Janeiro

Por Prisco Paraiso 21/02/2018 - 17:22 hs

Sem votos para aprovar a Reforma da Previdência – que precisa de, no mínimo, 308 deputados favoráveis – Michel Temer e companhia resolveram sair da defensiva e partir para o ataque. Literalmente.

Na madrugada de terça-feira, o governo já deu de goleada no primeiro lance da nova ofensiva. Aprovou a intervenção federal no Rio de Janeiro por 340 a favor e apenas 72 parlamentares contrários (aquela turma que é contra por ser contra).

O governo Temer, vejam só, que parecia um cadáver à espera de uma sepultura, está vivo. Pelo menos tenta dizer que ainda não chegou a hora do cortejo fúnebre.

Na esfera parlamentar, o Planalto apresentou um pacotaço de medidas na área econômica. Uma boa tacada política de Temer. Ele sai do córner, pois estava na defensiva desde que a Reforma da Previdência entrou na pauta, no vácuo das votações das duas denúncias de Janot contra ele. E parte para o protagonismo, tirando o discurso da oposição lulofanática.

Estrutura

A conferir, contudo, que tipo de estrutura será dada aos militares no Rio de Janeiro. Eles vão precisar de recursos e da criação de programas para o enfrentamento da violência não apenas no campo da bala. Sem isso, a intervenção pode se transformar em uma perigosíssima jogada de marketing.

Pacote

Entre os temas a serem discutidos e votados no Congresso por proposição do Executivo federal estão a privatização da Eletrobrás, a regulamentação das agências reguladoras, o depósito voluntário, a autonomia do Banco Central, mudanças de PIS e COFINS, entre outros projetos.

Balela

É coisa de esquerdista que não tem o que fazer esse papo de que a intervenção federal no Rio de Janeiro significa o começo de um novo período de governo militar.

Sinuca de bico

Sepultada a proposta de Reforma Previdenciária, a oposição desidrata seu discurso. Fica sem a principal bandeira. E agora, vão ser contra a intervenção? O Rio de Janeiro é uma cidade conflagrada. Vão ser contra o pacote de medidas, necessário para dar fôlego à economia? Um grupo certamente continuará sendo contra apenas porque não é o PT quem está no poder. Engraçado é que passaram tantos anos no poder e não arrumaram a casa. Pelo contrário, o país virou uma esculhambação.

Oposição bura

Aliás, o PT e seus satélites perderam, na votação da proposta de intervenção federal no Rio, a chance de apontarem caminhos para solucionar os problemas. Não o fizeram. Logo eles, que ficaram treze anos no poder e apoiaram os desastrosos e corruptos governos fluminenses. Preferiram discursar na linha da conversa mole do golpe, presidente ilegítimo e outras bobagens.

Fonte seca

O governo do Estado tem em mãos um estudo ténico que prevê a transformação de três hospitais públicos em Organizações Sociais. Segundo o deputado Vicente Caropreso (PSDB), que solicitou a análise quando foi secretário da Saúde, isso só não foi feito antes porque a fonte de recursos usada pela secretaria para pagar em dia era insuficiente.

Sem vontade

Outro motivo foi a falta de vontade política do Executivo para enfrentar adversidades decorrentes dessa decisão. Uma das unidades é o Hospital Tereza Ramos, em Lages, que custa R$ 8 milhões mensais, que passará a custar R$ 15 milhões quando sua nova ala estiver em funcionamento. Ou seja, Caropreso retoma o ano atirando contra o governo que acabou e que ele compôs até dezembro.