Cenário pré-eleitoral

Três nomes da política catarinense que iriam disputar cargos nas eleições deste ano receberam algum tipo de denúncia em 2018, um deles foi preso e deixa disputa

Por Prisco Paraiso 13/03/2018 - 17:29 hs

Em um mês, três nomes de Santa Catarina mapeados para a disputa majoritária deste ano foram atingidos, em maior ou menor grau,  por ações judiciais. O deputado federal João Rodrigues foi preso no dia 8 de fevereiro. Como ele próprio anunciaria depois, acabava ali sua carreira política. O parlamentar já avisou que deixará o PSD e a vida pública.

Na sexta-feira, 2 de março, surgiu a notícia de que a Procuradoria-Geral da República denunciou o governador licenciado Raimundo Colombo ao Judiciário. A PGR o acusa de prática de caixa 2 nas campanhas majoritárias de 2010 e 2014. Colombo comemorou o fato de não ter sido denunciado por corrupção, se mostra tranquilo e diz que vai provar que não autorizou e não fez caixa 2 nas duas disputas, quando foi eleito e reeleito governador em primeiro turno.

Seis dias depois, no dia 8 de março, exatamente um mês após a prisão de Rodrigues, o distinto público foi informado de que o ministro Edson Fachin autorizara a mesma PGR a investigar o senador Paulo Bauer. Também pela suposta prática de caixa 2. Bauer ainda não foi denunciado. Assim como Colombo, ele demonstrou tranquilidade, porém, diferentemente do governador, foi pego de surpresa pelo petardo. Por isso e por ser um dos favoritos à sucessão do próprio Colombo, o tucano está pedindo celeridade nas investigações.

Linha de tiro

Não se sabe quais os desfechos que terão a denúncia e a investigação da PGR relativamente a Raimundo Colombo e a Paulo Bauer. Mas os respingos são inevitáveis e estão sendo mensurados. Resta saber que outros políticos de proa em SC podem entrar na linha de tiro. E quem chegará vivo ao dia 5 de agosto, prazo fatal para as convenções homologatórias.

Lula quer segurança

Vice-presidente nacional do PT, Márcio Macedo chegou na segunda-feira a Florianópolis. Oficialmente, veio para confirmar a agenda do ex-presidente Lula da Silva no Estado. O petista cumpre roteiro em Santa Catarina nos dias 23 e 24 de março.

O detalhe é que Macedo já agendou reunião com o governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira. A pauta é a segurança do ex-presidente. Ou seja, o petista vem ao Estado, mas está querendo mobilização das forças policiais catarinenses para cumprir sua agenda.

Menos, Lula

Impossível não questionar tal situação. Ainda mais no momento em que o Estado está mobilizado no combate ao crime, com o governo focado na questão da segurança. Daí vamos tirar policiais das ruas, das operações, do combate ao crime para proteger alguém que vem fazer campanha eleitoral (fora de época), mesmo estando condenado em segunda instância? Complicado.

Do próprio bolso

Lula da Silva, assim como outros postulantes, tem todo o direito de defender suas ideias e circular pelo Estado. Mas se não se sente seguro, que contrate seguranças privados. Não dá pra admitir o uso das forças públicas de segurança numa situação destas, ainda mais que os efetivos estão aquém do necessário.

Estrela

Menos de uma semana após a apresentação da denúncia da PGR envolvendo Raimundo Colombo, estourou a notícia do pedido de investigação, da própria PGR, em relação a Paulo Bauer. De alguma maneira, o fato novo acabou amenizando a repercussão da denúncia contra o governador licenciado, muito embora sejam situações diferentes. Bauer será investigado. Sequer existe inquérito instaurado. Colombo já foi denunciado pela Procuradoria. Não é réu, mas depende agora de uma manifestação do STJ.