Por que a greve dos caminhoneiros vai acabar

Entenda.

Por Jacson Carvalho 30/05/2018 - 09:50 hs

 

Sem dúvida, uma das greves mais impactantes do Brasil e que já tem prazo para acabar. Entenda por quê.

Primeiro, será por conta dos próprios caminhoneiros que irão refletir sobre seu papel em ficar parado enquanto os motoristas abastecem seus veículos. Com a liminar concedida pela justiça, os caminhões começam a ter acesso aos pontos de abastecimento e com escolta militar chegam até aos postos de combustíveis das cidades.

Lembrando que os caminhoneiros têm um monitoramento presencial nas rodovias, ao ver que o número de veículos começa a circular com maior frequência, é natural o desânimo pela causa.

Outro grande motivo é a pressão que sofrerão das empresas que estão paradas. Já se tem notícias que algumas empresas já ameaçam as transportadoras com rompimento de contrato. E, o motivo que era alegado pelos caminhoneiros de que não podiam sair das barreiras, já não surte mais efeito, tendo em vista que o exército e PRF fizeram força-tarefa para garantir aos caminhoneiros que quiserem sair da greve, o acesso aos seus destinos.

E o maior motivo para o fim da greve é o fato de que vivemos em um país capitalista e todos precisam pagar suas contas que são provenientes de trabalho. Os caminhoneiros estão inclusos, eles, na maioria autônomos, dependem do frete para pagar aluguel, água, luz, escolas dos filhos, etc. Após o fim da greve, o espírito de companheirismo sentido enquanto juntos nas paradas irão desaparecer, pois ninguém vai pagar a conta do outro caminhoneiro pelo tempo que ficou parado.

Ainda tem o motivo partidário e ideológico. Nos quatro primeiros dias da greve todos estavam apoiando por causa da redução do preço do óleo diesel e outros benefícios para a classe. Depois do quarto dia, o movimento começou a pedir intervenção militar no país. Quando essa causa entrou na pauta, o movimento dos caminhoneiros já perdeu também grande apoio da população.

Logicamente, nem todos querem o rompimento da democracia, do direito ao voto. Uns são do MDB, outros, do PSDB, outros do PSB, outros apoiam a intervenção militar e até se viu monarquistas no movimento. Ou seja, quando o foco mudou, a divisão de ideias foi grande e o movimento perdeu força.

A pergunta agora é: quem sai fortalecido e enfraquecido desta greve?

Uns dos enfraquecidos foram os que apoiavam o pré-candidato Jair Bolsonaro à Presidência da República, tendo visto que ele gravou um vídeo pedindo o fim da greve e dos bloqueios. Isso foi um choque para quem o defendia e tinha uma ideia muito aproximada dos intervencionistas. Lógico que não interessa ao candidato uma intervenção Militar, às vésperas do tão sonhado pleito.

O Presidente Michel Temer diria que não saiu enfraquecido, porque não há o que enfraquecer mais. E o velho ditado “chutar cachorro morto” vem bem a calhar.

Os fortalecidos foram os caminhoneiros, porém, a meu ver, perderam a oportunidade de encerrar a greve enquanto estavam com total apoio da população. Quando começou a faltar alimento, gasolina e gás de cozinha, muitos já viraram as costas para os caminhoneiros.

O que mais se ouviu falar neste movimento foi sobre a falta de brasilidade, do povo brasileiro que só pensa em si mesmo e não no próximo. O individualismo é do ser humano e não somente do brasileiro. O extinto de sobrevivência é forte na hora do “o meu primeiro”. São esses hábitos que o ser humano precisa trabalhar, no compartilhamento das dificuldades, no equilíbrio dos atos.

Agora os caminhoneiros já sabem da força que têm, porém, uma paralisação como esta, acredita-se ser única com esses efeitos. Imagine só daqui um ano, os caminhoneiros anunciando que irão paralisar, novamente? No mesmo dia todos abastecem seus tanques, enchem a casa de alimento e tiram férias. Sobrarão poucos apoiadores.

Sem falar na pauta do próximo governo que, sem dúvida, será a ativação do modal ferrovias.

Afinal, qual o legado da paralisação?