Na saúde e na doença, aprenda e agradeça

Dias no hospital, apesar do medo e angustia, também há esperança e vontade de viver

Por Cris Nogueira 19/11/2018 - 08:53 hs

Depois de um mês cuidando de meu sogro no hospital, percebi coisas que não faziam parte de minha rotina e que me fizeram sair da "caixa".

No momento em que a doença se instala na família, você acaba deixando algumas  coisas de lado e começa a administrar novos horários e responsabilidades, novos focos e  cuidados, mais paciência e atenção, mas principalmente, mais empatia e aprendizado. 

Quando ficamos muito tempo dentro de um ambiente hospitalar, ele se torna um lugar comum, quase familiar: os corredores, as rampas, os banheiros, o pronto socorro, os guardas, as catracas e etiquetas de acompanhante, tornam-se  corriqueiros. O ápice da convivência hospitalar não é quando você  sabe o nome do enfermeiro ou da enfermeira, mas quando eles sabem o seu nome, sem olhar na etiqueta. Tudo nos parece familiar devido ao fato de que o dia num hospital  parece ter mais de 24 horas: são horas de espera, sempre relacionadas com a ansiedade, a angustia, o conformismo e o medo, mas também a esperança e a vontade de viver. Dentro dessa vontade de viver, gostaria de agradecer e dedicar essa coluna a uma classe muito especial, a enfermagem.

Carinhosamente, gostaria de comparar o enfermeiro a uma formiga, porque não param, trabalham muito, "carregam o piano nas costas" , estão sempre atentos, seguem protocolos, dão broncas e são atenciosos, cada qual na sua hora. Mas a melhor característica: são ótimos professores, principalmente para quem tem a humildade em querer aprender com eles. São eles que estão, ininterruptamente, com o paciente, que percebem primeiro a melhora e a piora, que correm e que alertam e então, muitas vezes, são eles que salvam. Entregaria minha vida a essa classe.

Vivi muitas experiências durante um mês convivendo com pessoas incríveis, desde as copeiras que sorriem ao levar a dieta "em forma de refeição", as moças terceirizadas da limpeza que esfregam o teto com seus rodos voadores, os meninos de avental e máscara que carregam as roupas em seus carrinhos, os guardas que sempre querem saber se há comida nas sacolas, os enfermeiros, o Dr. Rafael, sempre trazendo a palavra, e os amigos que fazemos, que ajudamos, que nos ajudam e que estão no leito ao lado, junto com suas famílias.

Cada paciente que chega traz consigo sua família e todos trazem suas histórias. Como não aprender com tudo isso?

Meu sogro voltou para casa aos 79 anos e com um coração sobrevivente depois de tantas "intercorrências", essa foi uma palavra que conheci com os enfermeiros.

Ouvi uma metáfora no hospital que serve para todos nós: "todos chegaremos ao final da jornada um dia, uma pessoa com graves problemas cardíacos pode chegar mais rápido. Nosso papel é tentar achar uma forma de fazer esse 'carro' reduzir a velocidade, com qualidade de vida."

Sei que existem muitos problemas num hospital, assim como na nossa cidade, no nosso trabalho e na nossa casa, mas nesse momento meu foco é a gratidão, então, já que falamos em hospital, obrigada ao Regional.

Saúde sempre!