Padrão GG

Obesidade: uma questão de preconceito, qualidade de vida e empatia

Por Cris Nogueira 18/12/2018 - 14:25 hs
Meu padrão na verdade é "extra super mega GGGG", assim como meu astral e bom humor, mas nem sempre foi assim. Nasci em uma família cuja genética tem uma forte tendência à obesidade. Fui uma criança e uma adolescente gordinha, sou uma adulta com sobre peso. Passei boa parte da vida fazendo dieta, uma marola constante perdendo e ganhando peso.

Quando você é jovem, a obesidade lhe apresenta o preconceito e, com ele, o aprendizado de uma superação dolorida e muitas vezes demorada para entender que você tem que ser melhor do que o seu exterior. Quando você chega na meia idade a atenção está mais focada nas consequências para a saúde, trazidas, muitas vezes, por essa mesma obesidade.

Durante minha caminhada tive muitas experiências maravilhosas, alicerces que tive, como o amor da família, 30 anos de terapia e amigos incríveis que estão comigo até hoje. Todas essas pessoas e processos me fizeram construir uma autoestima capaz de não mais me importar com a opinião, o preconceito, a falta de tato e a péssima educação de quem não tem a devida empatia, seja com um gordo, um deficiente, um pobre, um negro ou qualquer outro grupo de minorias, que fuja do "padrão". O problema é a exclusão que o preconceito provoca com qualquer pessoa fora do padrão.

Agora eu lhe pergunto: Se estar dentro de um padrão é ser perfeito, mas se ninguém o é, sobra quem?

Vamos refletir: existem pessoas esteticamente perfeitas e que estão sozinhas, tem dificuldade de lidar com seu próprio temperamento, com suas insegurança ou com sua auto-exigência, entre outras coisas. Mas, em tese, se o "padrão" vigente de perfeição está presente, essas pessoas deveriam ser super hiper mega felizes, certo?!

A obesidade não é uma boa opção para ninguém, é uma doença e ela pode matar, qualquer pessoa, devido as suas consequências, como o infarto, a diabetes, derrame, sedentarismo, má alimentação, cigarro, bebida, os excessos de trabalho, egoísmo, etc. A questão é que tudo isso é como uma droga. Todos nós somos, de uma certa forma somos "viciados", precisamos de "pseudo muletas", onde apoiamos nossa ansiedade e nossa depressão como se estivéssemos fugindo, sem saber o motivo. Certa vez, ouvi de um apresentador de TV a seguinte frase: "O gordo é o alcoólatra sólido", ri e entendi.

Quando você é vítima de preconceito, seja ele qual for, você treina sua empatia com relação a todo e qualquer pessoa que, assim como você, está fora do padrão. As pessoas que não vivem uma situação como essa, tem maior dificuldade nesse tipo de percepção e muitas vezes, de forma cruel, usam o ponto fraco de uma pessoa para atingi-la. Isso sim deveria ser alguém "fora do padrão".

Deveríamos ter um raio-x em nossas mentes, que pudesse fazer uma leitura moral das pessoas e perceber aquelas que possuem um alto grau de maldade, de crueldade, de ganância, de agressividade, etc. Mas o que seria de nossa maturidade e autoconfiança se não passássemos pelos obstáculos da vida, o que seria de nós se não pudéssemos treinar nossa compaixão, nossa superação e nossa capacidade de viver feliz, ao lado de quem amamos e de quem nos ama de forma abundante, como uma geladeira cheia de comida gostosa. Risos.

Temos que nos manter alertas com relação ao que provocamos nas outras pessoas. Podemos verificar o quanto fazemos os outros felizes ou podemos ser pegos de surpresa quando nos vermos sozinhos, sem ninguém por perto pelo fato de termos insistido em não olhar para o lado e para dentro de nós.

Que em 2019 você tenha uma boa qualidade de vida, buscando o equilíbrio em tudo, mas podendo exagerar no bom humor, na animação e no olhar de empatia para o seu próximo, usando sua percepção, não como uma arma, mas como uma benção.