Parabéns Joinville, 168 anos

O futuro chegou

Por Jacson Carvalho 11/03/2019 - 16:11 hs
Parabéns Joinville,  168 anos
Novos imigrantes na Rua Presidente Prudente de Morais, zona norte de Joinville

Que saudade daquela Joinville dos anos 80, pacata sem trânsito, para se informar das notícias mais violentas o joinvilense ouvia o Aymoré do Rosário, os rádios ecoavam de uma casa na outra com os jargões “zeguedé, barrigudinho, barrigudinha, gatalhada”. As principais notícias eram de roubo de carro, de briga em bar e quando a coisa ficava séria tinha notícia de vítimas de facadas.

Ponto de referência era o Mercado Odivan, Riachuelo, o bar Gato Preto na Dr. João Colin, quantas empresas já foram, quantas pessoas e histórias importantes já se passaram. Joinville já passou por muitas mudanças, mas tem coisas que são inesquecíveis. Passar de carro pela ponte de arame sobre o rio Cubatão aonde hoje é a ponte Prefeito Luiz Gomes não tinha preço, era adrenalina total.

Tirar uma foto na Praça Dario Salles com chafariz colorido ligado era sem dúvida motivo de uma postagem no Instragran, se tivesse isso na época. Tomar água na estátua de peitos de fora de Mario Avancini localizada no terminal central também era algo fantástico.

Agora vamos falar sobre os personagens desta foto, é uma foto de família, são meus tios e meu pai na Rua Presidente Prudente de Morais, zona norte de Joinville. Recém-chegados em Joinville como muitos imigrantes vindos do interior do estado de SC. Eles compraram terras na Rua Ricardo Landman e ali começaram uma nova vida. Joinville demandava de muita mão de obra, era chegar à cidade e começar a trabalhar. O sonho destes imigrantes que vinham principalmente do interior do Paraná era de uma Joinville melhor, de um futuro em um lugar com muito emprego e segurança para criar os filhos.

Note que não estou falando neste artigo de imigrantes da barca Colon, dos anos 30 ou 40, falo de uma história mais próxima, fácil de ouvir falar por quem mora aqui há mais de 30 anos.

Então o futuro desta gente chegou, estamos neste futuro de segurança e emprego para toda a família? As coisas mudaram, a indústria perdeu sua força e segurança das famílias não é mais a mesma. Crimes, facções, desemprego. Quem diria que iríamos falar em desemprego em Joinville, há 30 anos os joinvilenses falavam “até quem é vadio consegue trabalho nesta cidade”. Agora até quem é qualificado está fora do mercado de trabalho.

Se já mudou agora imagine para os novos joinvileses, falo da Joinville de 1 milhão de habitantes, falo da Joinville que terá o dobro de carros sem o dobro de ruas.

Joinville estaria perdendo sua força? Joinville estaria ficando estagnada? Outra cidade vizinha seria a “bola da vez”?

Mas a Joinville de hoje tem outra estrutura, tem muito mais opções de lazer, de cursos de graduação, somos a maior cidade do estado de Santa Catarina, exportamos tecnologia, temos orgulho de ser joinvilense. Outras ondas imigratórias começam a aparecer, a cidade aos poucos vai ganhando outros sotaques, outros costumes.

Muitas coisas mudaram, mas sem dúvida o que não muda é o jeito que a cidade lida com os imigrantes, abraça quem vem de fora, que quer conquistar aqui.

Parabéns Joinville, parabéns para quem está aqui há muito tempo e para quem acabou de chegar.