Governo dividido e o povo sem rumo

O momento do Brasil é complexo, é extremamente delicado

Por Prisco Paraiso 26/03/2020 - 15:29 hs

Se observa hoje um absoluto descompasso entre o comportamento presidencial e o andamento do próprio governo montado por Jair Bolsonaro. Luiz Henrique Mandetta, dá as orientações do Ministério da Saúde numa direção, e o presidente vai a público e se posiciona em direção diametralmente oposta. Diante disso, em meio à divisão do governo, a população fica sem saber a quem seguir, o que acatar.

Temos também a questão federativa. São 27 estados. Os governadores levaram um disparo presidencial, extensiva aos prefeitos, o que está merecendo uma contestação generalizada.


Até mesmo aliados de Bolsonaro, governadores fieis a ele, estão batendo em retirada. Exemplo de  Ronaldo Caiado, de Goiás, o mais intimamente ligado ao presidente. Conviveram por décadas no Congresso Nacional. O goiano, em meio à guerra política, ficou com o ministro Mandetta, que inclusive foi uma indicação sua. Ambos são médicos, contemporâneos e frequentaram a mesma faculdade.



Derretimento


O presidente começa não só a perder o apoio dos governadores e dos prefeitos, como fica enfraquecido no Congresso. Pra piorar, Bolsonaro está torrando seu capital eleitoral. Na verdade, ele está derretendo. Ah, os panelaços podem ser, de alguma forma, arquitetados pela esquerda, com o apoio de empresários, sobretudo da mídia, muito bem identificados, por terem interesses contrariados. Pode até ser, mas o chefe da nação começa a perder respaldo popular. Sua situação vai ficando difícil.



Verde desbotado


Até mesmo com os militares. Porque daqui a pouco, se os desatinos prevalecerem e a turma do verde-oliva bater em retirada, a coisa vai ficar insustentável.

Sim, porque o presidente hoje tem três bases muito claras: os próprios militares; a área econômica, tendo à frente Paulo Guedes; e o terceiro pilar, formando o tripé, que é Sérgio Moro, cuja estatura moral é inquestionável, respeitado e com muita credibilidade junto à opinião pública.



Tempestade perfeita


Se o presidente começar a perder força aí, já não tendo os governadores e prefeitos; sem o Congresso e definhando na opinião pública, ele fica com dificuldade de sustentação. É evidente que não se quer falar nesse momento em impechment ou pressioná-lo a renunciar. Jair Bolsonaro foi eleito de forma democrática, limpa. A princípio, tem que cumprir o mandato. Se ele quiser renunciar, é uma decisão unilateral. Alguém pode questionar que o eleitor escolheu mal, mas isso é outra história. Que não venham conspiradores agora se aproveitar do momento. Há empresários e políticos corruptos que se alimentam há muito tempo da podridão que envolve recursos públicos no Brasil. Agora, Bolsonaro precisa se ajudar.



Corte na carne


O deputado Mauricio Eskudlark (PL) apresentou uma moção propondo a redução dos salários de políticos e servidores do executivo e legislativo do Estado do Santa Catarina. Segundo Eskudlark, a intenção é que estes recursos sejam destinados no combate ao Covid-19, além de famílias que estejam sem renda neste momento de crise. “Precisamos dar exemplo, abrir mão de recursos, a sociedade inteira vai perder, e nós como políticos e servidores temos também que dar nossa parcela de contribuição pensando nos doentes e nas pessoas mais necessitadas”, explica.