O cenário na Capital II

Por Prisco Paraiso 22/09/2020 - 11:34 hs

Dando sequência à avaliação do cenário após as definições das chapas na Capital do estado, a outra candidatura considerada de ponta, mas que pode sofrer com incongruências é a do prefeito Gean Loureiro. Ele tem o apoio do PSD, partido que está no epicentro da Operação Alcatraz. Novos fatos podem surgir durante o desenrolar da disputa.

Gean também saiu do MDB e se abrigou no DEM, partido de Rodrigo Maia, transferência que teria envolvido de R$ 4 a R$ 5 milhões do Fundo Partidário do Democratas.

O atual alcaide tratou de levar o pescoço do vice, João Batista Nunes (PSDB), à guilhotina. Substituiu o tucano por um empresário bem sucedido, Topázio Silveira Neto. Consta que o sucesso empresarial do candidato a vice pesou muito na decisão, pelo perfil construído em sua trajetória, mas também a possibilidade de ele contribuir para campanha. Poderio financeiro e também a pressão do marqueteiro do projeto, que insistiu muito para que a troca na chapa majoritária se concretizasse.

Preterido, o PSDB bandeou-se para o projeto da deputada e ex-prefeita Angela Amin, do PP. E João Batista é novamente candidato a vice, só que agora contra o próprio Gean Loureiro.

Unilateral

Agora, a grande dúvida mesmo sobre o futuro de Gean Loureiro é sua condução durante a pandemia. Ele vinha muito bem até a chegada de julho, quando deu aquela derrapada gigante de voltar com o lockdown sem consultar absolutamente ninguém.

Eficácia zero

A decisão pegou muito mal, contrariou muita gente e não teve qualquer eficácia na prática, pois as demais cidades conurbadas da Grande Florianópolis não acompanharam a canetada extrema do prefeito da Capital.

Não cola

Ainda sobre a questão da troca de vice, com o atual indo para uma candidatura de oposição. Movimento até parecido ocorreu com o professor Rodolfo Pinto da Luz, que foi vice de Gean Loureiro em 2012, quando perdeu para Cesar Souza Júnior, que nomeou o ex-reitor da UFSC na Secretaria da Educação. Como César em 2016 não buscou a reeleição, Ângela  convidou Rodolfo para compor chapa. Por azar, Rodolfo perdeu as duas, mas querer fazer comparações para defender a troca promovida, já é forçar demais a barra. Alhos e bugalhos não são a mesma coisa.

Esquerda no divã

A situação de Elson Pereira, do PSOL, embora tenha um histórico de duas eleições competitivas, em 2012 e 2016, não é das mais tranquilas em termos de projeções. Considerando-se o péssimo resultado das esquerdas em 2018, mesmo tendo reunido todos os partidos de esquerda, com exceção do PSTU, a missão eleitoral é desafiadora.

Buligon no leme

O juiz eleitoral Jaime Pedro Bunn concedeu liminar em favor do prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, e cancelou o ato que exonerou o alcaide da presidência do PSL municipal. O magistrado também anulou a segunda convenção do PSL chapeconese, que conduziu o partido para os braços da candidatura de João Rodrigues, do PSD. Ou seja, Buligon fez barba e cabelo depois da tremenda injustiça a que foi submetido, pois volta a valer a convenção original, na qual o PSL indicou a candidata a vice de Leonardo Granzotto, do Patriotas. O prefeito, naturalmente, volta ao comando do partido até segunda ordem.

Buligon imolado

A canetada que o destituiu na quarta-feira passada, na véspera da votação do impeachment, foi do presidente estadual do partido, deputado Fábio Schiochet, em ato desesperado para tentar arrumar votos que salvariam o governador Moisés da Silva do impeachment na Alesc.

O governador avalizou toda a operação e entregou um aliado importante no Oeste aos leões.