Moradores realizam batalha de rap para envolver comunidade em atividade cultural

Moradores realizam batalha de rap para envolver comunidade em atividade cultural

Batalha do Paraíso acontece desde 2015 e é aberta para todas as idades e gêneros

Por Fernanda Eliza 09/02/2018 - 16:13 hs
Foto: Divulgação/Alex Sander Magdyel
Moradores realizam batalha de rap para envolver comunidade em atividade cultural
Comunidade participa das batalhas de rap que acontecem um domingo por mês no Jardim Paraíso

A Batalha do Paraíso, como é chamada oficialmente, começou em 2015. A  ideia surgiu dos próprios moradores do Jardim Paraíso, que tentam realizar atividades envolvendo a comunidade, já que o bairro é criminalizado pelo restante da cidade. A amizade dentro do rap e a quantidade de MC’s no local criou o desejo dos idealizadores de produzirem uma batalha do gênero no lugar.

No início, era “Batalha do Baldio”, como conta Odinéia da Silva da Veiga, 30 anos, coordenadora administrativa e mais conhecida como Néia. O nome ficou conhecido pelo fato do evento acontecer em um terreno baldio, de posse da Prefeitura Municipal de Joinville, mas que não tinha nenhuma ocupação. A preocupação com a usabilidade do espaço, se poderia ser utilizado ou não, acabou fazendo com que a Batalha do Baldio não se estendesse. A vontade de continuar com as batalhas de rap foram mais fortes, foi aí que a “Batalha do Paraíso” começou a acontecer, sendo realizada na associação de moradores do bairro.

Foto: Divulgação/Alex Sander Magdyel

Atualmente são três pessoas na organização do evento, incluindo Néia. Apesar de serem um grupo pequeno, ela conta que o número de apoiadores são grandes. Essas pessoas contribuem com arte no local e prêmios para os MC’s vencedores, até o terceiro lugar. São eles grafiteiros, que produzem camisetas personalizadas da batalha e artistas que fazer pinturas em quadros, com a mesma temática.

Existem também os patrocínios, apesar de serem poucos. Uma estamparia, de Rio Negrinho, que contribuiu com camisetas em duas edições e o mercado César, no próprio bairro, que é patrocinador há quatro meses. Mas Néia conta que no começou, o dinheiro vinha da própria comunidade e da venda de refrigerantes, bolos e brigadeiros.

Rael, apelido de Israel Medeiros, 25 anos, trabalhador em construção civil e morador do bairro há 18 anos, começou a participar das batalhas quando elas ainda aconteciam no terreno baldio e foi campeão.

Ele já fazia rap antes da criação do evento no Jardim Paraíso, “participei de um grupo social chamado H2S Hip Hop Social que visava mostrar as pessoas que o Hip Hop, assim como as outras culturas, tinha potencial pra tirar as crianças e os adolescente das ruas”, conta. Para Rael a música e a cultura são ferramentas importantes para educação da comunidade, “os menores são atraídos pelas mensagens das letras”, explica.

Foto: Divulgação/Alex Sander Magdyel

Sem preconceitos

Para participar do rap no Paraíso não tem idade,  “querendo botar a cara lá pra batalhar, pode ir, independente da idade e gênero”, brinca Néia. Segundo ela, parte das batalhas realizadas na cidade, e em outras regiões, são pautadas apenas na competitividade e provocação entre os rappers. Nos shows é preciso que os MCs exaltem as suas qualidade, desmerecendo ou não o outro, mas é importante mostrar porque você mesmo rima melhor que o oponente, por exemplo. Mas para a organização da Batalha do Paraíso há um limite. “Eu venho do rap, de um rap de favela, de comunidade, um rap que luta pelas minorias, não o rap que julga ou faz preconceito”, afirma a organizadora, “no Paraíso não é permitido a reprodução de preconceitos nas rimas, como machismo, racismo, homofobia e gordofobia. Eu nunca precisei interromper uma batalha pela metade, mas se for preciso eu vou fazer, porque a gente não aceita nenhum tipo de preconceito”. Nesses casos é orientado aos jurados o desconto de pontuação do competidor.

Néia conta que em uma edição paralela a batalha principal, foi feita a “Batalha do Elogio”, onde os MCs tinham que elogiar os demais.”Acredito que tenha sido díficil, isso já é do ser humano, é mais fácil xingar e falar mal de uma pessoa do que elogiar. E foi uma batalha linda”, diz.

Crianças também participam das batalhas. Foto: Divulgação

Veja: Próxima batalha acontece neste domingo