Preço do arroz tem leve recuperação em maio

Aumento de até 10% anima produtores no final da colheita, mas safra 2018 tem o menor preço dos últimos anos

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Após meses de desvalorização, o preço do arroz em Santa Catarina teve uma leve recuperação nas duas primeiras semanas de maio com um crescimento de até 10% em algumas regiões. Em abril, o Estado registrou pagamento ao produtor de R$ 32,22 a saca de 50kg, menor valor para o mês dos últimos sete anos. Apesar da alta no início de maio, os rizicultores ainda enfrentam dificuldades em garantir a lucratividade do grão.

O aumento de preço animou produtores, mas ainda não é suficiente para tirar o setor da crise. No Sul do Estado, o preço chegou a R$ 35 a saca de 50 kg, e no Alto Vale do Itajaí, a R$ 33, na primeira quinzena de maio. A queda de preço entre abril de 2018 e abril de 2017 é de 21%. Em janeiro de 2017, a saca era comercializada a R$ 47,31.

Outro problema enfrentado pelo setor é a baixa capacidade de armazenagem. Entre março e agosto, a oferta fica elevada e os preços também são pressionados pela entrada de produto estrangeiro. Para agravar o quadro, muitos produtores precisam arcar com parcelas de financiamento, o que contribui para a rapidez na venda.

A queda de preços é explicada pelo aumento da oferta e estagnação do consumo. O prejuízo ao produtor é ainda maior porque houve aumento de custos com insumos nos últimos anos, o que tem desmotivado a aposta neste mercado. Umas das alternativas é a exportação: Santa Catarina enviará 30 mil toneladas de arroz em casca para a Venezuela até o final de maio.

"É importante que o Brasil conquiste mercados internacionais para o arroz, pois o nosso potencial de produção é bem superior ao consumo interno. Com as exportações de arroz em casca ou até mesmo beneficiado ampliam-se as possibilidades de produção e renda para o agricultor", diz o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies.

O Estado é o segundo maior produtor do grão do país, atrás do Rio Grande do Sul, mas recuou na produção em 2018. Nesta safra, o Estado deve colher 1,162 milhão de toneladas do grão, 1,14% a menos do que em 2017 - 1,176 milhão de toneladas. Além disso, o Estado diminuiu a área plantada em 0,34% e a produtividade em 0,8%. São 148 mil hectares cultivados nesta safra, que movimentam a economia de 10 mil famílias catarinenses.