Mesmo com acordo, caminhoneiros mantêm paralisação em Joinville

O presidente autorizou que as forças armadas brasileiras intervenham no desbloqueio das estradas

Por Fernanda Eliza 25/05/2018 - 15:45 hs
Foto: Jacson Carvalho / Agora Joinville

Quem chega no km 25 da BR 101, em Pirabeiraba, Joinville, se depara com uma multidão de homens e seus caminhões parados. As faixas informam que a categoria dos caminhoneiros está em greve. A adesão é nacional e já dura há cinco dias.

Na noite de ontem (24), foi fechado um acordo entre o governo federal e alguns representantes do transporte rodoviário. Parte das reivindicações foram atendidas e outras ajustadas, mas a base dos caminhoneiros segue em greve até que todas as reivindicações sejam aceitas.

Após a resistência da classe, o presidente Michel Temer fez um pronunciamento na tarde desta sexta-feira (25) autorizando as forças armadas brasileiras a tirarem os grevistas das estradas. Os caminhoneiros paralisados em Joinville dizem que seguirão em greve mesmo com a vinda do exército.

"Comunico que acionei as forças federais de segurança para desbloquear as estradas e estou solicitando aos governadores que façam o mesmo. Nós não vamos permitir que a população fique sem os gêneros de primeira necessidade, que os consumidores fiquem sem produtos, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas e crianças sejam prejudicadas pelo fechamento de escolas”, disse Temer durante coletiva. Porém, ao contrário da declaração do presidente, os caminhoneiros grevistas em Pirabeiraba estão liberando a passagem de oxigênio, medicações, perecíveis, carga hospitalar e carga viva. “Somos contra interromper a via. Nossa situação é com o governo, não com o pessoal que precisa passar na rodovia”, explicou um dos caminhoneiros.

Sobre o acordo, a base concentrada em Joinville diz que não sabe com quem Temer o fez, já que a entidade que os representa, a Abcam (Associação Brasileira de Caminhões), não fechou com a proposta do governo. Eles pedem 30% de redução do diesel, tabela de valores em pedágio e que o eixo erguido não seja cobrado. Há pelo menos uma faixa e alguns caminhões pintados pedindo a intervenção militar. Sobre a pauta, os caminhoneiros disseram que esse é um pedido individual de alguns, não foi algo fechado pelo grupo e não faz parte das reivindicações para que a greve acabe.

No local há estoque de água, arroz, frutas e café, por exemplo, produtos doados pelos moradores locais e alguns empresários de diversos segmentos, como Marcos Lamin, 45 anos, mecânico. Ele e alguns amigos se mobilizaram pela Internet para conseguir alguns mantimentos para os grevistas. Além dos já citados eles trazem também produtos de higiene, erva mate e carne. “Temos que nos unir, o povo tem que se sensibilizar, ajudar nossos irmãos”, explica Lamin, justificando a ajuda dada aos caminhoneiros.

O pessoal paralisado tem dormido nos caminhões e tomado banho no posto Rudnick. Os que têm família em Joinville vão pra casa por três horas, depois voltam para apoiar os companheiros. No espaço onde estão parados conseguem fazer um fogo e cozinhar. Bebida alcoólica não é permitida, “a gente está aqui a trabalho, não em festa”, disse um dos grevistas. Eles também pedem o apoio da população.