Atendimento ao cliente é diferencial no cenário atual do comércio

Atualmente, o comércio vem enfrentando novos desafios, uma maior concorrência, além das compras virtuais. Nos dias de hoje, além das vendas, o comerciário precisa conquistar clientes

Por Fernanda Eliza 29/05/2018 - 17:10 hs
Foto: Fernanda Eliza

É o que dizem os vendedores que estão há muito tempo no mercado, como Anilton Carlos Gonçalves, conhecido entre os amigos e clientes como Kaire, 44 anos, e vendedor desde os 23. “O comércio há 21 anos atrás era diferente, mais divertido e com menos concorrências”, ri, “hoje temos que tentar fazer a diferença, há muitos meios dos clientes encontrarem o mesmo produto”.

Aline Gabriela Vill, 22 anos, está no comércio desde os 14 e via a profissão, na época, como algo fácil, para ela, vender ou oferecer parecia simples. “Hoje em dia quem trabalha com isso, vê que vai muito além disso, ter a confiança de um cliente, a gente acaba conhecendo a vida dele e criando vínculo, sabe?”, conta.

A especialista em comunicação Lena Souza viaja por todo o estado de Santa Catarina falando sobre os desafios do comércio. Ela diz que atualmente os lojistas precisam fazer mais que uma venda, é essencial conseguir clientes e para isso é necessário criar fidelidade, “ter alguém que é seu fã, alguém que não te troca”.

Segundo Lena, é preciso criar empatia durante o atendimento, fazer algo a mais. “Se o lojista não estiver fazendo algo a mais, ele vai estar igual os concorrentes, são pequenos detalhes que podem criar uma experiência muito positiva”, diz.

Por Joinville ser uma cidade industrial, Roberto Siedschlag, tesoureiro do Sindicato dos Comerciários de Joinville e Região, explica que há muitos empregos, o que ajuda na questão de compras, ou seja, as pessoas estão empregadas e continuam comprando, mas não como antes. Trabalhador do comércio há 35 anos, Roberto conta que o comércio está vendendo, mas como os salários dos compradores não são altos, há pouco dinheiro circulando no mercado. Para ele, hoje em dia, como há muitas lojas com produtos parecidos ou iguais, o diferencial é, mais uma vez, o atendimento.

As vendas online também são uma opção disponível atualmente. Lena acredita que a facilidade da Internet mudou a realidade do comércio e que este também é um dos desafios dos lojistas. “Quem só tem atendimento físico talvez precise também migrar para as vendas na internet”, Lena sugere.

Para Kaire a realidade da profissão é muito diferente de antigamente e uma dessas diferenças seria a Internet, mas destaca: “a grande diferença é o ser humano que sente, fala, ouve, e isso ajuda.”

Jovens buscam oportunidade no comércio

Vendedor há um ano, o jovem Matheus Alves, 22 anos, trabalhava com contabilidade antes de ingressar no ramo de vendas, onde se identificou e pretende seguir carreira. Para Matheus, aqueles que entram para esta área devem estar cientes da disposição que devem ter, como trabalhar com metas, horários diferenciados e no atendimento ao público, caso o contrário, o que, segundo ele, torna-se uma facilidade quando se faz o que gosta.

Apesar de pouco tempo de experiência, Matheus diz que não demorou muito para achar o emprego no comércio onde atua hoje, “o varejo está contratando pessoas que querem realmente seguir na área”, opina. O maior  benefício de se trabalhar com vendas é ter os seus próprios clientes, “clientes fiéis”, cita. Para o jovem, quem trabalha com vendas deve ter uma atenção diferenciada, e conclui “todo dia há pessoas diferentes querendo ser bem atendidas, então você tem que estar sempre sorrindo. Querendo ou não é um trabalho mental”, explica.

Diferente de Matheus, Gabriela Zeferino, 17 anos, teve seu primeiro contrato de trabalho assinado pela área varejista, porém, após dois meses, a jovem preferiu buscar outra profissão.

Gabriela começou a atuar como estoquista freelancer, quando surgiu a oportunidade de ser vendedora, “para mim que sou muito quieta era um meio de me soltar”, conta. Por causa do baixo movimento, Gabriela foi demitida por corte de gastos, mas diz que já pensava em sair pelo fato de não conseguir “se soltar”.

Durante os dois meses de trabalho, a moça vivenciou pouco movimento no setor e relata que, por conta disso, uma saída era enviar consignados aos clientes, isto é, mandar os produtos da loja até a casa do possível comprador. Para Gabriela, a simpatia da maioria dos clientes e a união da equipe tornavam os dias mais agradáveis, mas por conta da timidez, que também a impedia de conquistar clientes, acabou preferindo sair do setor lojista.

Condições dos trabalhadores do comércio

Neste mês de maio, o Sindicato dos Comerciários de Joinville e Região está se reunindo com empregadores e realizando convenção para decidir qual será o novo piso salarial do comércio. A negociação pode durar até três meses, mas os trabalhadores receberam o valor de forma retroativa desde o mês de maio. Atualmente o valor está em R$1427,00. Os trabalhadores dos shoppings também recebem a bonificação de R$52,00 por domingo trabalhado. Roberto explica ainda que há comissões, mas que estas são políticas próprias e acontecem de acordo com cada empregador.

Outro benefício conquistado foi o abono de falta para a mãe comerciária, isto é, mães trabalhadoras do comércio, com filhos de até 14 anos que precisam ser internados, podem acompanhar a criança no hospital e ter falta abonada no serviço. A bonificação pode ser usada sete dias em cada semestre.

Como o Sindicato dos Comerciários atende Joinville e região e ainda atua em diversas âmbitos do comércio, é preciso ficar atento para saber quais são os direitos disponíveis para cada categoria: atacadistas, varejistas, concessionárias, ópticas, contabilidades, farmácias e supermercados.