Pesquisa do Ipea revela aumento em homicídios de mulheres

Pesquisa do Ipea revela aumento em homicídios de mulheres

Para cada 100 mil mulheres no Brasil 4,5 são assassinadas

Foto: Arquivo

Segundo um levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) 4.621 mulheres foram assassinadas em 2015, o que corresponde a uma taxa de 4,5 mortes para cada 100 mil mulheres. Santa Catarina é um dos estados em que o índice diminuiu de 2005 até 2015, apenas 42,6%, enquanto Rondônia somou 163,6%. Com base nesses dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) não é possível identificar quais parcelas correspondem às vítimas de feminicídio, ou seja, crimes de ódio contra a mulher, já que a base de dados não fornece essa informação.

Dentre os números apontados na pesquisa do Ipea está a taxa de homicídios de mulheres negras. Entre 2014 e 2015, houve uma queda de 5,9% no estado e 11,7% de mulheres não negras. Não é de hoje que alguns casos correspondem a violência psicológica, patrimonial, física ou sexual, e que esses atos violentos antecedem a fatalidade. Muitas mulheres ainda se sentem reprimidas pelo contexto patriarcal em que a sociedade se encontra, em que o homem é superior. E isso faz com que não haja denúncia registrada.

Em 2016, o Datafolha por meio do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, fez a pesquisa "Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil". A pesquisa mostra que 29% das mulheres brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência, sendo que apenas 11% dessas mulheres procuraram uma delegacia da mulher. A rede de atendimento às mulheres ainda é um pouco escassa no Brasil. O levantamento do Ipea mostra que é necessário que existam mais opções que possibilitem uma saída dos ciclos de violência. "Somente com essa abordagem poderemos construir políticas públicas capazes de enfrentar a violência contra a mulher e promover uma ampla educação de gênero para que possamos, de fato, comemorar de forma permanente a redução do feminicídio" aponta a pesquisa.

Os dados ainda mostram um crescimento preocupante em relação aos homicídios de mulheres negras a nível nacional. Das vítimas por agressão foram contabilizados 54,8% em 2005 passando para 65,3% em 2015. Em inúmeros casos antes mesmo de uma mulher, sendo ela negra ou não, se tornar uma vítima de homicídio, ela já é vítima de outros tipos de violência como especifica a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06).

O levantamento do Ipea ainda afirma que ampliação e o aprimoramento da rede de atendimento à mulher são fundamentais não apenas para o melhor acompanhamento das vítimas, mas também pelo seu papel na prevenção da violência contra a mulher. "Um ponto importante a ser enfatizado é a necessidade de que essa rede possa ser acessada pelo sistema de saúde e não apenas pelo sistema de justiça criminal", diz a pesquisa.

*Texto por Jornal Metas (Grupo Adjori)