Sem conseguir pagar aluguel, família ergue barraco em Gaspar

Sem conseguir pagar aluguel, família ergue barraco em Gaspar

Letícia, a mãe acamada e os quatro filhos estão vivendo em condições sub-humanas

Por Jornal Metas/RCN 08/06/2018 - 10:42 hs
Foto: ALEXANDRE MELO/JORNAL METAS

É em um pequeno barraco erguido com algumas tábuas, pregos e telhas de Eternit que Letícia Rodrigues, 25 anos, está morando com os quatro filhos e a mãe acamada. Sem água e sem energia elétrica, a família está vivendo em condições sub-humanas desde o último fim de semana, quando invadiu um terreno da prefeitura na rua Dona Maria, no loteamento Novo Horizonte, no bairro Gaspar Mirim. Conforme explica Letícia, ela se viu obrigada a ocupar o local pois não consegue mais pagar o aluguel. "Eu estava morando em uma casa alugada no bairro Coloninha e há dois meses eu já não conseguia mais pagar as contas. Não tive outra escolha, não tenho para onde ir", afirma.

Letícia e os filhos de nove, seis, cinco e dois anos, mais a avó das crianças, Maria Rodrigues, de 65, sobrevivem apenas com dois salários mínimos, renda proveniente do auxílio-saúde da idosa, que sofre de artrose múltipla, e do auxílio-reclusão do ex-companheiro. "Eu não posso trabalhar, pois preciso cuidar da minha mãe. Devido à doença, ela não consegue andar e depende de mim para tudo. Metade do auxílio que ela recebe vai para comprar sua medicação e suas fraldas", afirma Letícia. 

A família chegou ao local no sábado (2) e um mutirão logo se formou para erguer a "casa". "Recebi doações de madeira e de telhas e com a ajuda da comunidade do loteamento construímos a casa em dois dias", conta Letícia. Porém, ainda falta muito para que a residência possa ser chamada de lar. No chão não há piso - que foi substituído por papelão - e no lugar das janelas há plásticos e lençóis. O sanitário improvisado fica na parte externa e, para tomar banho, a família depende da boa vontade dos vizinhos. No interior do barraco não há quase nada de móveis, apenas uma mesa, um sofá e uma cadeira, além das duas camas onde dormem as seis pessoas. "É uma situação muito triste, mas sustento isso pois não quero ficar longe dos meus filhos e nem da minha mãe. É difícil ver eles passarem necessidade, pedir as coisas e eu não poder dar", emociona-se Letícia. 

Ela explica que há cinco anos aguarda uma moradia da prefeitura. "Eles (prefeitura) vieram até o loteamento e falaram que eu preciso sair daqui. Mas vou para onde se não tenho dinheiro?", indaga. Letícia diz que tudo o que quer é ter um lugar para criar seus filhos e cuidar da mãe doente. "Hoje o que eu mais preciso é de alimentos e materiais de construção, para poder melhorar a casa". Porém, a família também precisa de roupas e calçados. Desde que chegou ao loteamento, a família tem recebido ajuda de muitas pessoas. Jaimir Zaguini, que mora em uma casa aos fundos do barraco de Letícia, é uma delas. "Como vou negar água para eles? Já passei por uma situação muito parecida como a dessa família, quando perdi minha casa na tragédia de 2008. Sei o quanto isso é sofrido", relembra o morador.

Acompanhamento

Procurado pela reportagem do Jornal Metas, o secretário de Assistência Social de Gaspar, Ernesto Hostin, afirma que a família de Letícia é acompanhada pela equipe desde 2014 e, em novembro de 2017, eles passaram a receber o atendimento no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). "É uma família que realmente vive em uma situação de vulnerabilidade social e as informações sobre ela são confidenciais. Mas posso garantir que a família está recebendo todo o amparo possível. Somente de novembro de 2017 até agora foram 18 atendimentos", revela.

O objetivo, segundo Hostin, é o fortalecimento da função protetiva para manter o vínculo familiar. "A Letícia cuida muito bem dos filhos e da mãe. Agora vamos referenciar esta família no Cras do Gaspar Mirim para levantar oficialmente a nova situação", conclui. (Da redação: Por recomendação do ECA - Estatuto da Criança e Adolescente - não é permitida a exposição de imagens de crianças em situação de vulnerabilidade social).