Recapeamento, pavimentação comunitária e a expectativa de novas ruas asfaltadas em Joinville

Moradora do bairro Iririú há 28 anos conta como é a rotina em uma rua não pavimentada na maior cidade do Estado

Por Rafaela França/ Agora Joinville 22/04/2019 - 11:47 hs
Foto: Rafaela França/Agora Joinville
Recapeamento, pavimentação comunitária e a expectativa de novas ruas asfaltadas em Joinville
Nelci Mazzoco, 69 anos, na rua Fernando Loth, bairro Iririú. Foto: AJ

Nelci Mazzoco chegou em Joinville em 1991. Colocou os pés na rua de chão batido, no bairro Iririú, iniciando, assim, uma caminhada que permanece até hoje. Ela mora com a filha e os três netos, criados todos na mesma casa, mesmo endereço e mesma rua - que não mudou muita coisa em 28 anos. O chão batido ainda é o mesmo, apesar de tantas reivindicações por parte dos moradores da rua Fernando Loth. 

Além de Mazzoco, cerca de sete famílias moram na rua e transitam, rotineiramente, por ali. Mas não é somente o pó dos dias secos ou a lama dos chuvosos que dificultam a vida dos moradores. Para dona Nelci, uma das principais barreiras quando se trata da rua em que a casa de alvenaria está localizada, é lidar com os problemas de saúde que se agravam por conta da situação da não pavimentação. 

Aos seus 69 anos, a moradora da zona leste conta como é a rotina no local de um dos bairros mais movimentados da cidade. “Além dos problemas da idade, a situação da rua piora a saúde da gente, né? Por conta do pó, às vezes, não podemos nem abrir as janelas”, explica. A filha de dona Nelci, Rosicleia Mazzoco, de 36 anos, cria os três filhos na residência. Frank Júnior, Melissa e Arthur, o caçula da família. Nelci conta, que muitas vezes não deixa as crianças irem para a rua por conta da poeira. “O Arthur já nasceu com problema no pulmão, de respiração, então preocupa ainda mais”, explica a avó com o semblante preocupado no rosto. 


De frente com a casa de Dona Nelci fica uma empresa de construção civil. O movimento dos veículos ocorre durante todo boa parte do dia. Caminhões entram e saem da estrutura, levando a poeira da rua diretamente para dentro da casa de Nelci sem pedir licença. Aposentada, Mazzoco conta que conviver com o movimento dos trabalhadores é incômodo. “Os caminhões passam o tempo todo, então boa parte do dia preciso ficar dentro de casa por causa do pó que levanta”, explica. 

Atualmente, o bairro Iririú conta com 24.696 habitantes e ocupa o quinto lugar dos bairros mais populosos de Joinville. Mas mesmo com tanto morador e tantas vias, grande parte dos locais continua sem pavimentação. Segundo dados da Prefeitura de Joinville, somente no Iririú existem 191 ruas. Destas, a partir de informações mais recentes do documento “Joinville Bairro a Bairro”, cerca de 69% das vias são pavimentadas, enquanto o restante continua na mesma situação que a Fernando Loth. 

A situação não é diferente também para dona Maria José, de 54 anos. Nos dias de sol, para algumas pessoas é um momento de aproveitar ao ar livre, observar o movimento e curtir o céu azul - coisa rara em Joinville. Já para dona Maria, quando o sol abre, as janelas e portas se fecham. “Apesar de morar pouco tempo nesta rua, já entendi a rotina: não dá pra deixar o pó acumular”, explica. 

Já quando a previsão joinvilense volta ao normal e a chuva surge na grande Joinville, para a moradora os problemas se acumulam. “Além da lama, a rua não têm bueiro, por exemplo, e aí alaga tudo”, conta. “Tem dias que é impossível até sair de casa”, afirma. 

Segundo dona Maria, um simples trajeto, como ir até a padaria, pode se transformar em um campeonato. “É buraco pra lá e pra cá, não tem como escapar. E se não é buraco, é lama ou pó”, conta. 


Recapeamento asfáltico 

Desde março deste ano, a Prefeitura de Joinville está em andamento com obras de requalificação em ruas que fazem parte do pacote de mais de 200 vias que estão sendo pavimentadas e recapeadas no município. O projeto faz parte de um financiamento do Banco do Brasil, no valor de R$ 61 milhões. 

Os trabalhos começaram no bairro Vila Nova, zona oeste da cidade. No momento, as obras ocorrem em 47 ruas, sendo que 43 requalificadas e apenas quatro serão pavimentadas. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Joinville, a escolha de requalificar é necessária. “A manutenção das vias que apresentam desgastes é uma ação preventiva para evitar problemas de infraestrutura”, afirmou. 

Já foram realizadas obras de requalificação nas ruas Alfredo Wagner, Almirante Tamandaré, Márcio Luckow, um trecho da rua Itaiópolis, parte da rua Dona Francisca - da Itaiópolis até a Hermann August Lepper -, trecho da Benjamin Constant, João Miers e também na Jaraguá. Segundo Rosa, o processo de recape atende ruas que têm grande movimentação viária. “Exigência no momento são os pontos que apresentam maior desgaste na pavimentação”, explica a assessoria.


Pavimentação comunitária 

Uma solução para os moradores que não querem esperar pela prefeitura, é a pavimentação comunitária. O acordo funciona da seguinte forma: os moradores ficam responsáveis em pagar pelo projeto da obra, pelo material utilizado e a mão de obra da empreiteira contratada. Já a Prefeitura, garante apenas a infraestrutura básica da rua para a liberação da pavimentação aos moradores. “Os moradores devem ter adesão da maioria no programa e procurar a subprefeitura regional do bairro. Assim apresentar os orçamentos e empreiteira. A partir disso é feita a programação para a drenagem e preparação da via para receber o pavimento escolhido pelos moradores - asfalto ou lajotas”, explica o assessor. 

Para a família Mazzoco, a pavimentação comunitária não seria o ideal. Segundo Nelci, o orçamento continua caro. “Já fizemos uma papelada uma vez, mas não foi pra frente por conta do alto custo”, conta. Para aderir a pavimentação de forma comunitária, os moradores que tiverem os terrenos com a maior área, o valor aumenta. 


Dona Maria José, que apesar de nova na rua, diz que pretende conversar com os vizinhos e tentar outra solução. “Assim que eu me organizar e me familiarizar, vou entrar em contato e ver se mudamos alguma coisa”, comenta.