Joinville realiza caminhada para marcar a Semana da Saúde Mental e Dia da Luta Antimanicomial

Dia da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, evidencia a importância de falar sobre a saúde mental ainda nos dias de hoje

Por Redação Agora Joinville 17/05/2019 - 10:40 hs
Foto: Anderson Rodrigo
Joinville realiza caminhada para marcar a Semana da Saúde Mental e Dia da Luta Antimanicomial
Joinville realiza caminhada para marcar a Semana da Saúde Mental. Foto: Anderson Rodrigo

Ocorreu na manhã desta sexta-feira (17), por meio da Secretaria da Saúde de Joinville, uma caminhada alusiva à Semana de Orientação e Conscientização sobre Saúde Mental (13 a 17/5) e ao Dia da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio. 

A caminhada saiu da Praça da Bandeira e percorreu ruas do centro da cidade até a Associação Catarinense de Ensino – Faculdade Guilherme Guimbala (ACE/FGG). 

O evento teve a participação de profissionais que atuam na rede de saúde mental de Joinville, incluindo Unidades das Secretarias da Saúde, de Assistência Social (SAS) e Educação (SED), acadêmicos dos cursos de enfermagem, terapia ocupacional, serviço social e psicologia, além de usuários da rede e familiares. 

O ato reforça a defesa das práticas atuais dos tratamentos de transtornos mentais que preconizam os cuidados do usuário em liberdade, e não em regime fechado em instituições como os manicômios. 

“Não é possível retroceder. Hoje a diferença principal do tratamento é o cuidado em liberdade. O indivíduo deve manter o convívio com a sua família e a comunidade”, explica a coordenadora do Serviço Organizado de Inclusão Social (SOIS) e do Serviço Ambulatorial de Psiquiatria (SAPS), Josiane Kintzel Welter.

Em Joinville, os usuários da rede de saúde mental recebem atendimento de acordo com a sua necessidade. Para os casos leves, o atendimento é realizado junto à Atenção Primária. Já para os casos moderados e graves, o encaminhamento é para os serviços especializados como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), o Serviço Ambulatorial de Psiquiatria (SAPS) e o Serviço Organizado de Inclusão Social (SOIS). Além disso, as internações hospitalares podem ocorrer em fases agudas, mas o objetivo é reconduzir o usuário aos serviços especializados e à Atenção Primária logo que possível.




Luta Antimanicomial - 18 de maio

No fim da década de 70, o Movimento da Reforma Psiquiátrica evidenciou e denunciou abusos cometidos em instituições psiquiátricas da época e precarizações de trabalho em época de regime do governo. A partir daí, surgiram movimentos de trabalhadores da área da saúde mental com a necessidade de uma reforma psiquiátrica no Brasil. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) e o Movimento Sanitário foram dois dos maiores responsáveis por essa iniciativa e pela escolha da data que simboliza essa luta. 

Com o lema “Por uma sociedade sem manicômios”, diferentes categorias de profissionais, associações de usuários e familiares, instituições acadêmicas, representações políticas e outros, questionam o modelo clássico de assistência resumido em internações em hospitais psiquiátricos e as graves violações aos direitos das pessoas com transtornos mentais. O Movimento da Reforma Psiquiátrica resultou na aprovação da Lei 10.216/2001, nomeada “Lei Paulo Delgado”, que trata da proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de assistência. 

Rogério Amâncio, terapeuta ocupacional do SOIS – Serviço Organizado de Inclusão Social, de 40 anos, explica a importância do movimento ainda nos dias de hoje. Segundo ele, a luta é uma batalha constante para que os métodos antigos de tratamento não voltem. “A luta tem que avançar, não podemos retroceder. Assim como a inclusão, que não pode retroceder. O movimento é para criar a inclusão dessa pessoa com problema mental”, explica o terapeuta ocupacional. “É necessário entender que os pacientes mentais não são ameaças para a sociedade. Eles só não entendem algumas questões, e aí que entra o profissional de saúde mental, para garantir o suporte para essas pessoas” conclui.