Mensagens vazadas revelam que Sérgio Moro orientou investigações da Lava Jato

Segundo reportagem do The Intercept Brasil, ex-juiz mantinha conversas privadas com procurador durante operação; a prática vai contra a Constituição

Por Redação Agora Joinville 10/06/2019 - 08:39 hs
Foto: Agência Brasil
Mensagens vazadas revelam que Sérgio Moro orientou investigações da Lava Jato
Ministro também divulgou uma nota sobre as matérias do site. Foto: Agência Brasil

Trechos de mensagens entre procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro foram divulgadas na noite deste domingo (9) por meio do site The Intercept Brasil. Segundo a reportagem, o juiz orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores, colocando em pauta a imparcialidade do ministro quando era responsável pelo julgamento em 1ª instância de casos de corrupção pela 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. 

Entre eles, o caso do tríplex no Guarujá, que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o site, nas conversas privadas, além de Moro sugerir ordem de fases da Lava Jato, ele “cobrou agilidade em novas operações, deu conselhos estratégicos e pistas informais de investigação, antecipou ao menos uma decisão, criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público e deu broncas em Dallagnol como se ele fosse um superior hierárquico dos procuradores e da Polícia Federal”.


Conversas

Em um dos diálogos, o juiz pergunta a Dallagnol: "Não é muito tempo sem operação?" O chefe da força-tarefa concorda: "É, sim".

Segundo o site, o ministro da Justiça “parece ter cruzado a fronteira que separa juiz e investigador numa conversa de 7 de dezembro de 2015”. No trecho, Moro passa informalmente uma pista sobre o caso de Lula. “Então. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sidoa ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”, escreveu.

“Obrigado!! Faremos contato”, respondeu Dallagnol pouco depois. “E seriam dezenas de imóveis”, acrescentou o juiz. 


Força-tarefa

A força-tarefa da Lava Jato respondeu a divulgação da reportagem do site. Em nota, o Ministério Público Federal do Paraná informou que seus foram vítimas de uma ação criminosa de hacker: “A ação vil do hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, tendo havido ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes. Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho". 


Moro

O ministro também divulgou uma nota sobre as matérias do site:

“Sobre supostas mensagens que me envolveriam publicadas pelo site Intercept neste domingo, 9 de junho, lamenta-se a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo. Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.”


Confira a reportagem completa aqui