Tânia Eberhardt (Cidadania) mostra propostas para Joinville

A candidata é a segunda concorrente a responder as perguntas feitas pelo Agora Joinville

Por Beatriz Kina 16/10/2020 - 10:25 hs
Foto: Foto: Divulgação / Assessoria

Com as eleições agendadas para o dia 15 de novembro e, em caso de segundo turno, dia 29 de novembro, o Agora Joinville abriu espaço para os candidatos à prefeitura de Joinville apresentarem propostas sobre temas de interesse público. 

Todos os 15 candidatos tiveram o mesmo tempo para responder todas as perguntas e, em respeito aos que responderam dentro do prazo, respostas encaminhadas depois da data final não serão consideradas. 

Foram 13 perguntas iguais feitas aos candidatos. Todos os dias uma matéria será publicada com as respostas de um(a) candidato(a) considerando a ordem de envio. 

Ontem (15), Dalmo Claro (PSL) deu início a essa série de entrevistas. Hoje, Tânia Eberhardt (Cidadania) é quem responde. 

Agora Joinville - Nos últimos anos Joinville observa uma insatisfação recorrente por parte de professores da rede municipal de ensino devido a desvalorização desse profissional. Essa desvalorização resulta em greves anuais e acordos que não atendem às expectativas desses trabalhadores. Qual é o diferencial do plano de governo do(a) candidato(a) para a valorização desses servidores?

Tânia Eberhardt (Cidadania) - Sou educadora e atuei na gestão de pessoas da Prefeitura, tenho proximidade, sensibilidade e experiência sobre o tema. Concernente à Educação, o Plano23 aborda o aspecto da formação continuada dos docentes, trazendo as seguintes propostas: criar um plano estratégico de diagnóstico das necessidades de formação e qualificação, nas licenciaturas e implantar uma política municipal de formação continuada dos profissionais da educação em regime de parceria com instituições estaduais e federais. Com relação ao servidor público do município, nosso plano contempla a criação do Programa de Incentivo à Produtividade (PIP) e traz a modernização das condições de trabalho em todos os órgãos. No caso dos docentes e profissionais da Educação isto envolve não apenas a disponibilização de novos recursos e equipamentos tecnológicos, mas o preparo para utilizá-los adequadamente.


Agora Joinville - Hoje a cobertura e tratamento de esgoto chega a apenas 39% da cidade. Se eleito(a), até o final do mandato, a quantos % o(a) candidato(a) pretende expandir esse número? O que te faz acreditar que esta meta é possível? 

Tânia- Vamos intensificar, de forma planejada e integrada, a velocidade das obras de esgotamento sanitário de modo a atingir a meta do novo Marco Legal do Saneamento de ter 90% dos domicílios atendidos até o ano de 2033. Temos todas as condições de cumprir esse objetivo, a Águas de Joinville é uma empresa saneada financeiramente, com capacidade de contrair empréstimos para realizar os investimentos. Basta priorizar que as obras vão aparecer.

Agora Joinville - Joinville é chamada de “Cidade das Flores” e “Cidade da Dança”, mas não é isso que se vê diariamente. Quais projetos são cruciais para que a cidade possa retomar esses títulos?

Tânia - Venho dizendo que vamos mudar a fotografia de Joinville, queremos uma cidade limpa, arborizada e florida. Onde nossa gente e nossos visitantes possam se sentir abraçados. Para isso teremos um serviço de zeladoria urbana permanente e, como forma de incentivo aos nossos produtores, daremos prioridade às aquisições de provenientes de cultivares locais. Quanto a ser a Cidade da Dança, esse é um título que Joinville conquistou com o suor e dedicação dos nossos artistas, professores e produtores culturais, tanto na Escola do Teatro Bolshoi, quanto na Escola Municipal de Ballet e, principalmente, pelo nosso Festival de Dança. Mas há que se reconhecer que a prefeitura, pelo menos nos últimos anos, vem sendo omissa. Pouco ajuda, não comparece nem com a figura do prefeito participando dos eventos e apresentações. Isto será mudado. A cultura e a arte da dança estão na minha, alma no meu sangue. Quero ter a satisfação de ver nossa cidade figurando como referência nestes dois âmbitos, não só nacional, mas internacionalmente também.

Agora Joinville - Com o impacto da pandemia, muitos joinvilenses perderam o emprego. Se eleito(a), qual a primeira decisão do governo para impulsionar a economia na cidade? 

Tânia - Ousar! Vamos fazer uma grande concertação, com diálogo e arrojo, a fim de estabelecer um pacto entre setores que hoje amarram, obstaculizam e sufocam o desenvolvimento. Joinville tem muitas potencialidades, muitas qualidades, tem excelência em mão de obra e empreendedorismo, e a burocracia é o nosso maior entrave. Podemos construir uma grande cesta de incentivos, com regime de impostos especiais, linhas de financiamentos, velocidade nos licenciamentos e mesmo na relação de trabalho, podemos pactuar para que no médio prazo todos saiam ganhando. Claro que em muitos aspectos dependemos de legislações estaduais e federais, mas Joinville sempre soube fazer o seu próprio caminho para o desenvolvimento, e não será diferente a partir do ano que vem. Também precisamos ter uma estratégia especial para atender as pessoas que estão contraindo quadros graves de saúde devido ao isolamento social, pessoas que estão desenvolvendo síndromes, pessoas que estão perdendo o ânimo e a esperança. As adversidades serão muitas, precisamos ter coragem, bom senso e determinação para enfrentá-las e isso tenho de sobra.

Agora Joinville - Em julho de 2019 o secretário de Assistência Social de Joinville, Vagner Ferreira de Oliveira, estimou que existem em Joinville cerca de 800 pessoas em situação de rua na cidade. Como o(a) candidato(a) pretende acolhê-las? 

Tânia - Enquanto servidora municipal fui umas das pioneiras em acolher pessoas em situações degradantes em Joinville, e ao longo dos meus 40 anos de serviço público estive direta ou indiretamente nesta linha de ação. Atendi muita gente, tanto na educação infantil especial, quanto na assistência social. O fundamental nesse setor é estimular o servidor que atende lá na ponta. A mão  que ele estende é a mão da prefeitura. A qualidade e a efetividade da acolhida dependem desse servidor. E quando falo em estímulo, não é só salário e condições dignas de trabalho, isso é importante, mas reconhecimento e envolvimento da figura do prefeito contam muito. Esse compromisso de me empenhar e estar junto eu assumo, porque isso está na minha origem e no meu histórico de trabalho.

Agora Joinville - Há mais de 20 anos Joinville permanece com as mesmas empresas de transporte coletivo na cidade. O valor da passagem segue aumentando. O candidato(a) pretende abrir licitações para que novas empresas possam oferecer o serviço?

Tânia - Vamos fazer a licitação do transporte público e, afirmo: não haverá privilégios. Não bastam velhas receitas ou argumentos inócuos para resolver problemas que não apenas mudam, mas sofrem verdadeiras revoluções devido à expansão urbana, às novas tecnologias e às transformações da sociedade. Há muitas possibilidades para o transporte público municipal hoje, elas precisam fazer parte do dia-a-dia do cidadão, trazendo meios de deslocamento mais eficientes e mais acessíveis. Isto será conduzido por mim em conjunto com a Câmara de Vereadores. Nossos representantes no legislativo precisam entender que são partícipes e corresponsáveis pela evolução ou retrocesso da cidade que nos elegeu.

Agora Joinville - Joinville tem atualmente 669 quilômetros sem nenhum tipo de pavimentação. Para o seu governo, a prioridade será a manutenção de ruas já asfaltadas ou pavimentação de novas ruas?

Tânia - As duas coisas são necessárias. A manutenção é essencial, o pavimento é um patrimônio público, não pode ser negligenciado. E andar em asfalto esburacado é pior que trafegar em ruas de saibro, nestas últimas a gente já segue preparado para encontrar irregularidades na pista. Precisamos ter em mente que todas as ruas de circulação devem ser asfaltadas, e também as vias rurais, para facilitar o escoamento de alimentos, dar qualidade de vida ao morador local e viabilizar o turismo. É desafiador, mas eu como prefeita não poderei ter a consciência tranquila se não enfrentar esse desafio e me empenhar em ampliar esse benefício para todos os bairros. Aqui, novamente, enfatizo: nossos deputados têm que trabalhar em conjunto com o Executivo municipal para trazer recursos para Joinville. Esse apoio, essa representatividade nas esferas federal e estadual é imprescindível. Nosso objetivo, enquanto representantes públicos, tem que ser o mesmo: promover melhorias para o município e seus habitantes.

Agora Joinville - Alguns bairros de Joinville sofrem constantemente com a falta de água. Qual o projeto de governo do(a) candidato(a) para que essa não seja mais um realidade da cidade?

Tânia - Vamos fazer o planejamento e as obras necessárias para garantir água suficiente e com qualidade para toda Joinville, de hoje e do futuro. Dentre as obras necessárias estão a recuperação da rede, substituindo tubulações antigas e deficitárias, o que aumenta a vazão e diminui o desperdício, e também a construção da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) do Piraí Sul. Do ponto de vista preventivo, vamos criar um programa de recuperação das matas ciliares para os rios do município, e promover ações de educação, orientação, prevenção e fiscalização para proteger os mananciais do município.

Agora Joinville - Nos nove primeiros meses deste ano o número de microempreendedores individuais (MEIs) aumentou cerca de 14% no país. Qual é o projeto de governo do(a) candidato(a) que pretende incentivar os MEIs de Joinville?

Tânia- Sem dúvida um setor essencial. Acredito, inclusive, que esse índice será potencializado pela pandemia. A cada dia temos menos empregos formais e mais “gente por conta própria”. Dar atenção especial para eles não é só uma questão de desenvolvimento, mas de sobrevivência da própria estrutura social. Todos vamos precisar nos reinventar, tanto no âmbito pessoal quanto institucional. E a prefeitura e a prefeita, têm que dar o exemplo, promovendo o estímulo desses trabalhadores e abrindo canais facilitadores para eles. Dentre as ações planejadas pontuamos a criação de um setor dentro do órgão ambiental que assessore o microempreendedor e o pequeno produtor rural no trâmite de questões ambientais. Vamos trabalhar efetivamente em um sistema de desburocratização, focando na simplificação da abertura e fechamento de empresas. Queremos impulsionar o empreendedorismo e a inovação, fomentando a união de entidades empresariais e educacionais comprometidas em transformar a cidade em um pólo de referência nacional e internacional.

Agora Joinville - O joinvilense tem muitas ressalvas a respeito de processos muito burocráticos na cidade, o que o(a) candidato(a) pretende fazer em relação a isso? Qual é a prioridade?

Tânia - Vamos inverter os protocolos: confiar primeiro e cobrar depois. Vamos trabalhar em um grande pacto conciliatório, criando um ambiente onde a nova loja da Havan ou o pipoqueiro da esquina encontrem segurança e estímulo para estabelecerem sua atividade.

Agora Joinville - O estacionamento rotativo foi um projeto implementado durante o governo do atual prefeito, o(a) candidato(a) pretende fazer alguma manutenção?

Tânia - É um modelo interessante para organizar o centro da cidade, onde há mais demanda que vagas. Mas precisa ser aprimorado, com tecnologia e mais informação a fim de evitar “as pegadinhas”, que só servem à fábrica de multas. Estamos estudando um conjunto de serviços e obras para revitalizar o centro de Joinville, envolvendo mobilidade urbana, atividades econômicas criativas, tecnologia e novos usos para os espaços públicos e imóveis tombados.

Agora Joinville - O mirante e o zoobotânico de Joinville são procurados para caminhadas e passeios, o(a) candidato(a) tem outro projeto para criar uma área de lazer para a população?

Tânia - Sim, entre as ações que estão em nosso Plano23 estão: fazer a regularização e urbanização sustentável da Praia da Vigorelli. Criar parques lineares e ciclovias ao longo das Avenidas Almirante Jaceguay, Beira Rio, Marquês de Olinda e também na zona sul, paralela à ferrovia. Concretizar a execução do PARQUE DO PIRAÍ. E criar pequenos centros esportivos junto a áreas de lazer nos bairros.

Agora Joinville - O que te diferencia dos demais candidatos? 

Tânia - Tenho experiência em enfrentar desafios. Em todas as funções que tive a honra de atuar deixei um legado de realizações e um histórico de conciliação. Tenho o zelo e cuidado típicos da natureza feminina. O homem é mais arrojado, tem sempre o ímpeto como motriz. A mulher é mais cuidadosa, conciliadora e zelosa. E não estou falando só em coibir desperdícios, mas em preservar relações e vínculos que são importantes para a concórdia e o bemestar coletivo. Uma prefeitura é análoga a um lar, por mais dificuldade que enfrente na administração da casa, a mulher, a mãe, não deixa um filho ir dormir com fome, ir sujo para escola, nem permite que a discórdia prospere na família. Não se trata de fazer aqui uma disputa de gênero, mas não podemos deixar de entender que o cuidado feminino é diferente do homem. Vamos enfrentar um período de pós-pandemia em que o zelo e a sensibilidade com as pessoas serão essenciais. Além disso, meu histórico de serviços prestados é nas áreas de educação, saúde, atendimento, acolhimento, sempre trazendo soluções conciliatórias, criativas, e com muita ousadia. Convido a população a ousar e eleger a primeira prefeita de Joinville.

Na publicação de amanhã (17), você verá as respostas do candidato Marco Aurélio Marcucci (Republicanos).