Assoreamento do Iriri faz pescadores pensarem em manifestação; Governo promete obra emergencial

Assoreamento do Iriri faz pescadores pensarem em manifestação; Governo promete obra emergencial

O clima de revolta com a situação da foz do rio Iriri é facilmente percebido em conversa com os pescadores artesanais da região, que pedem urgência na obra sob promessa de manifestação

Por Felipe Bieging/Jornal do Comércio/Adjori 23/10/2017 - 09:40 hs
Foto: Felipe Bieging

À beira do rio Iriri, em Penha, o que se ouve e se vê são pescadores artesanais descontentes diante da situação que precisam enfrentar diariamente. Com a boca da barra e o leito do rio completamente assoreados, eles voltam a contabilizar prejuízos pela danificação de suas embarcações e passaram a ter uma jornada de trabalho ainda maior por conta de ficarem reféns da tábua da maré.

A situação de assoreamento do Iriri teria se agravado após as recentes ressacas que atingiram praticamente todo o litoral catarinense. Apesar de as fortes ondas não assolarem o calmo balneário da Praia Alegre, as correntes acabaram por levar grande quantidade de areia até o estreito canal utilizado pelos artesanais – 80% do setor camaroneiro. “Se perdemos 10 minutos da maré, não conseguimos mais sair ou entrar”, define o pescador João Plácido Vieira.

“Eu mesmo já tive prejuízos com quilha, eixo, serpentina...”, completa João. Diante do assoreamento, os pescadores tiveram de mudar sua rotina de trabalho. Sempre aguardando a maré certa, eles agora precisam se lançar ao mar quase quatro horas antes se quiserem levar dinheiro para casa. “Nós não precisamos sair uma hora da madrugada e voltar às duas da tarde somente com o café da manhã na barriga”, lamenta Zeca, um dos mais tradicionais do Iriri.

“Podemos sair às cinco, seis da manhã e voltar às três da tarde”, complementa Zeca. Diante da situação, a revolta também está entre eles. Um possível bloqueio da ponte da Avenida Nereu Ramos é cogitado entre os pescadores. “Temos que fazer como a ‘turma’ do Gravatá”, disse um pescador conhecido por Nogueira, referindo-se ao ato do mês de agosto, quando os pescadores do bairro do Gravatá atearam fogo em uma barricada sobre a ponte que divide os municípios de Penha e Navegantes. O pedido deles é o mesmo: desassoreamento e molhe.

Diversas dragagens emergenciais já foram realizadas no leito do Iriri, mas a solução definitiva estaria na ampliação dos molhes. A administração passada produziu um projeto executivo para recuperar o rio Iriri.  O projeto foi pautado na dragagem do rio, recuperação e também de prolongamento dos molhes. Foram gastos R$ 140 mil para produzir os estudos, idealizados pela empresa Alleanza.

O projeto prevê um molhe de 104 metros e outro de 54 metros – este para o lado da praia. Contudo, o atual governo, afirma que está revisando o projeto antes de protocolá-lo na Fundação do Meio Ambiente (Fatma) para liberação das licenças ambientais. A Prefeitura afirmou ainda que pretender realizar a obra somente no próximo ano.

A situação dos pescadores também vem sendo discutida na Câmara de Vereadores de Penha. Recentemente o vereador Luiz Américo (PSDB) solicitou informações à Prefeitura justamente sobre uma data para execução do projeto da Alleanza e, ainda, já há possibilidade de desassoreamento emergencial imediato. “Mais de 300 famílias dependem da pesca na região da Praia Alegre e praticamente toda a água pluvial de Penha desemboca no rio, na Praia Alegre.  Atualmente os pescadores daquela região precisam se lançar ao alto mar somente em momentos de maré cheia. No período de maré baixa, o rio fica completamente inavegável”, afirma.

Governo promete obra emergencial nos próximos dias

Na tarde desta sexta-feira, 20, o prefeito Aquiles José Schneider da Costa (PMDB), recebeu em seu gabinete a Associação de Pescadores da Praia Alegre e também outras autoridades locais. Diante da complexidade da futura obra e todo processo burocrático que a cerca, Aquiles confirmou que irá atender ao pedido dos artesanais e vai realizar um desassoreamento emergencial do canal.

"Ficou acertado o seguinte: o prefeito está, de maneira emergencial, fazendo a contratação de uma empresa para fazer o desassoreamento e atender a demanda dos pescadores - para eles poderem trabalhar - até que saia a dragagem (projeto definitivo)", confirmou o assessor de gabinete do prefeito, Eduardo Bueno, ao Jornal do Comércio Segundo o Governo, a ação deve acontecer já nos próximos dias.

Paralelo à ação emergencial, o Governo confirmou que pretende executar o projeto completo de prolongamento dos molhes e também desassoreamento de todo o rio Iriri. “Não é a dragagem total que o rio precisa, mas deve resolver o problema dos pescadores enquanto a cidade busca viabilizar essa grande obra que é importante para toda a cidade, a fim de reduzir de maneira significativa as ocorrências de alagamentos”, apontou Aquiles.

Também participaram da reunião o Secretário da Pesca e Agricultura Fabiano Nunes, o Secretário da Administração Diego Mattiello, o Secretário da Fazenda Leandro Borba e o Vereador Luiz Américo Pereira.

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